Publicações de grande gravidade repercutiram nas redes sociais aqui em Três Pontas nesses últimos dias. O teor cita o falecimento de um bebê, num parto de gêmeos, onde algumas pessoas questionam a atuação do médico responsável e a estrutura da Maternidade de Três Pontas.
Numa das publicações nas redes sociais que obteve vários compartilhamentos, a autora do comentário disse o seguinte:
“POR ERRO MÉDICO, INOCENTES PAGAM…
Venho através dessa mostrar a minha indignação e tristeza com a Maternidade de Três Pontas! Até quando vamos ter que passar por isso? Nem todas as mães têm condições de ter um parto normal e por outro lado nem todas têm condições de pagar uma cesárea e é aí que acontece um absurdo desse, os médicos induzem o parto normal e muitas vezes o bebê perde a vida.
E hoje foi um dia triste onde uma mãezinha saiu de casa grávida de gêmeos e tentaram fazer um parto normal nela. Aí vocês já imaginam o que aconteceu né?
Um dos bebês perdeu a vida e o outro bebê foi transferido para o hospital de Alfenas, de helicóptero.
É muito triste saber de tudo isso! Vamos nos unir para que nenhuma mãezinha passe por isso! Vamos melhorar Três Pontas!
Todas as mães deveriam ter direito de escolha do parto. Indignada! Mais uma vez um bebê paga com a própria vida!”
Diante da repercussão do caso e da gravidade das denúncias, a nossa reportagem procurou ouvir todos os envolvidos.
Conseguimos contato com o tio dos bebês. O irmão da mãe Lívia, Luan Rodrigues, falou com nossa reportagem:
“Minha irmã estava grávida de gêmeos e com 27 semanas ela foi fazer um ultrassom e descobriu que o cólo do útero dela estava fino. Mas bem antes disso ela fez vários outros ultrassons e estava perfeito. Meus sobrinhos estavam saudáveis, tudo certo.
Aí com 27 semanas ela foi fazer ultrassom e descobriu que tava o cólo do útero estava fino para segurar os bebês. Ela fez tudo que os médicos pediram, repouso, tomou os medicamentos, cumpriu as ordens do médico, tudo…
Domingo agora, dia 26, ela começou a sentir dor de contrações e foi para o hospital. Chegando lá ela foi avaliada pelo Doutor Eduardo Marcondes. Ela estava com três dedos de dilatação e ele disse que era normal e que ela podia voltar para casa. Aí minha mãe, com medo, falou para ele transferir ela para outra cidade, porque aqui não tem recurso nenhum na Maternidade. Ele falou que podia ir para casa. Minha mãe falou pro Doutor no dia da cerclagem que ela não podia ganhar aqui. Mas o Doutor Eduardo falou que ela podia sim, porque ele que era o médico e não foi só ele que falou isso. Outros três médicos falaram isso, que ela podia voltar para casa. Ele ainda fez várias piadas para minha mãe, com muita falta de educação…
E na terça agora, dia 28, minha irmã veio sentir mais dor e voltou para o hospital. Chegando lá ela já estava com nove dedos de dilatação e entrou em trabalho de parto. Tentaram fazer um parto normal, na primeira contração, junto com meu sobrinho que tava com o coração fraco e depois mudou para uma cesária às pressas. Aí foi feito e começaram os problemas. E se você ver como nasceu o meu sobrinho, tão perfeito, formado… Minha irmã carregou eles por 33 semanas com muito amor.
E a Maternidade está tentando tampar o buraco. No registro de identificação do meu sobrinho estão colocando que ele estava com 39 semanas, mas não foi isso! É que com 39 semanas o parto poderia ser feito aqui. Mas foi com 33 semanas apenas.
Trataram minha mãe com muita falta de educação. Deixaram elas sem jantar e aí ela foi atrás dos enfermeiros porque estavam com fome.
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Foi uma fatalidade muito grande para a nossa família. Doutor Eduardo Marcondes é médico de alto risco né? Ele sabia que ela não podia ganhar aqui, que aqui na maternidade não tem suporte nenhum. Tinha que transferir e eu acredito que se tivessem transferido ela no domingo, meu sobrinho estaria vivo e a gente não ia precisar passar por isso.
Estamos muito abalados, minha irmã tem 17 anos apenas e ele sabia que era alto risco. Três dedos dilatados, eles tinham que transferir ela já no domingo. Ele me falou que tem diploma né, mas não serviu pra nada…”, declarou.
O QUE DIZ A SANTA CASA
Levamos as denúncias até a Santa Casa de Misericórdia do Hospital São Francisco de Assis. Em contato com a direção, o que nos foi passado foi o seguinte:
“É importante esclarecer que todos os procedimentos aconteceram dentro dos protocolos, sendo cumpridos rigorosamente.
A mãe esteve na Maternidade, examinada, avaliada e ainda não era o momento para a realização do parto, foi dada alta pelo médico, com a recomendação que havendo alguma mudança, dores ou qualquer sintoma retornasse para nova avaliação. No retorno na terça-feira e após avaliação foi constatada a necessidade de cesariana devido a avançada dilatação. O SAMU não mais poderia fazer o resgate devido o risco a mãe e aos bebês. Foi feito cesariana com nascimento dos bebês. Foi acionado SAMU e após grande demora devido problemas técnicos no transporte um bebê teve parada cardiorrespiratória, dentro ambulância, em seguida por 2 horas tentada a reanimação. O outro bebê foi transferido para Alfenas, já que a Santa Casa de Três Pontas não possui este serviço de UTI neonatal.
Tudo que poderia ser feito foi realizado dentro das normas técnicas, protocolos de segurança, primando pela saúde e segurança da mãe e dos bebês. As acusações de que orientamos ou exigimos pela realização de partos normais ou de cesáreas, não condizem com a verdade e, juntamente com outras afirmações errôneas, serão frutos de medidas judiciais.
Os partos são feitos de acordo com a necessidade, independente do custo ser mais alto para a Santa Casa ou não, pois sempre prezamos pela segurança do paciente.
Através das redes sociais, e sem nenhum controle sobre elas, por vezes reputações de profissionais ou instituições são maldosamente atingidas.
Nos sensibilizamos profundamente com a perda do bebê e afirmamos que mediante avaliação certificamos que não houve erro ou imprudência em todo processo”, disse o HSFA.
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PROCURAMOS PELO MÉDICO CITADO
Nossa reportagem também conversou com o ginecologista e obstetra Dr. Eduardo Marcondes Lemos. Ele destacou que todas as medidas necessárias foram tomadas e que estão distorcendo os fatos, culpando-o pelo ocorrido e por situações que não condizem com a verdade, já que ele afirma não ter sido ele quem fez o parto e que sequer estava na Santa Casa naquele dia. Ele também afirmou que não deu alta para a paciente antes do parto.
“A informação mais importante é que há um grande equívoco no que foi falado, já que não fui eu que fiz o parto. Eu não estava na Maternidade naquele dia. E nem fui eu quem deu alta para ela antes do parto, na segunda-feira. Eu acompanhei o pré-natal. Mas o parto foi outra profissional. No momento oportuno, seguindo as orientações dos meus advogados, que estão tomando todas as providências cabíveis, nós iremos nos pronunciar. Estamos tranquilos e convictos de que o resultado não se trata de erro médico”, revelou.
Nossa reportagem ainda segue apurando e acompanhando os desdobramentos desse caso e trará, de forma profissional e responsável, novos detalhes e informações.
Nos colocamos à disposição de todos os envolvidos para novos esclarecimentos.
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Roger Campos

















































































