O laboratório Moderna anunciou nesta quinta-feira (19), que os primeiros testes da vacina contra HIV já estão sendo feitos em humanos nos Estados Unidos.
O imunizante foi produzido a partir de tecnologia do RNA mensageiro (mRNA), que é o mesmo utilizado pela empresa em vacinas antiCovid.
A fase 1 dos testes em humanos foi publicada formalmente no registro do Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. Os estudos iniciais vão envolver 56 pessoas com idades entre 18 e 50 anos não portadoras do vírus.
Vacinação em fases
Os testes serão divididos em duas etapas. Na primeira, metade dos voluntários receberá duas doses iguais do imunizante mRNA-1644, e a outra, duas versões distintas, nomeadas mRNA-1644 e mRNA-1644v2.
Esse primeiro momento deve durar 10 meses. Nesta fase, os cientistas querem verificar a existência de resposta imune e comprovar a segurança da aplicação.
Se houve sucesso já na primeira etapa, outras duas doses serão necessárias somente para cumprir os protocolos de liberação, exigidos pelas agências sanitárias.
A segunda etapa é composta das duas últimas aplicações. Nelas, os cientistas farão a análise da segurança e das defesas do organismo e testarão a eficácia real das doses ministradas.
Tecnologia MRNA
A tecnologia do RNA atua como um mensageiro e “ensina” as células do corpo a produzir antígenos contra o vírus.
Neste caso, a vacina se torna um pouco mais eficiente, pois é diferente dos imunológicos tradicionais, que são fabricados à base de partes do vírus ou de vírus inativado.
Neste momento, além da Moderna, a Pfizer também está com o imunizante aprovado e em fase de produção nos Estados Unidos.
Vacinação no Brasil
Aqui no Brasil, a vacinação contra o HIV também acontecerá e a USP já está cadastrando voluntários desde o início do ano.
País deve atingir a imunização completa de toda a população adulta antes da nação mais rica do mundo. Brasil, atualmente, é o terceiro que mais aplica vacinas diariamente no mundo, atrás apenas de China e Índia
O país tem intensificado o ritmo da vacinação contra a covid-19 ao longo das últimas semanas, tanto que muitas unidades da Federação já estão imunizando todos os brasileiros a partir de 18 anos de idade. A cobertura vacinal dos adultos mais jovens, inclusive, fez com que o Brasil passasse a registrar índices recordes de doses aplicadas diariamente, o que nos deixa mais próximos de fornecer a primeira dose para todos os adultos antes mesmo dos Estados Unidos.
Informações reunidas pelo projeto Our World in Data, conduzido pela Universidade de Oxford, mostram que o Brasil tem se esforçado para compensar a demora do início do processo de vacinação, que só aconteceu em janeiro deste ano. Nos últimos dois meses, mais de 1 milhão de pessoas foram vacinadas por dia. Desde 11 de agosto, o país é o terceiro que mais aplica doses no mundo, perdendo apenas para China e Índia, sendo que de 17 a 19, data em que as estatísticas do Brasil foram atualizadas pela última vez, pelo menos 2 milhões de doses foram distribuídas à população em cada um dos dias.
O número de pessoas vacinadas com ao menos uma dose contra a covid-19 no Brasil chegou ontem a 122.830.226, mais de 74% do total de pessoas com 18 anos ou mais no país. Caso o Brasil consiga manter a quantidade de doses aplicadas diariamente acima dos 2 milhões, em no máximo 21 dias os cerca de 41,6 milhões adultos que ainda faltam ser atendidos receberão a primeira dose. Nas últimas 24 horas, 454.160 pessoas receberam a primeira aplicação da vacina, de acordo com dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa junto a secretarias de 26 estados e Distrito Federal.
Mesmo tendo iniciado a campanha de imunização um mês antes do Brasil, os Estados Unidos levarão mais tempo para chegar à marca de 100%, considerando os parâmetros atuais de vacinação no país. Segundo o Our World Data, desde 13 de abril, quando atingiu a impressionante marca de quase 3,4 milhões de vacinas aplicadas, a quantidade de imunizantes distribuídos diariamente vem caindo. A última vez em que o país conseguiu usar mais de 1 milhão de doses no mesmo dia foi no feriado da Independência, em 4 de julho, e nos últimos sete dias a média de imunizantes aplicados foi de 789 mil.
De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, ao menos 188,6 milhões de norte-americanos com mais de 18 anos já iniciaram o esquema vacinal, o que significa 73% da população do país nessa faixa etária. A seguir o patamar de imunização observado recentemente, o país levará mais 88 dias — quase três meses —, para aplicar a primeira dose em todos os 258,4 milhões de adultos.
Causas
Infectologista do Hospital de Águas Claras, Ana Helena Germóglio diz que o Brasil conseguiu ultrapassar os norte-americanos devido à cultura de cada país em relação às vacinas. Mesmo com mais doses à disposição para os seus habitantes, os Estados Unidos têm de lidar com o negacionismo de boa parte da sua população em relação aos imunizantes, o que compromete o avanço da campanha de vacinação.
“O brasileiro e os latinos, em geral, são acostumados com vacinas e que entendem a importância da imunização. Enquanto nos Estados Unidos há uma corrente forte antivacina, isso não se vê no Brasil”, comenta. Para ela, outro fator que contribuiu para o país ter intensificado a quantidade de doses aplicadas foi o fim da exigência de se fazer um prévio agendamento para as pessoas serem atendidas. Quem não tinha acesso à internet, por exemplo, acabava perdendo a oportunidade de se imunizar.
“Temos de dar chances para todos serem vacinados. Aqui, as pessoas querem tomar a vacina. Apesar do atraso, era apenas questão de tempo para que as doses estivessem à disposição nos postos e, de lá, fossem para os braços dos brasileiros”, diz.
Especialistas fazem o apelo para que os brasileiros não percam a oportunidade de se vacinar, visto que os imunizantes são o método mais eficaz para evitar formas mais graves da covid-19. Neste mês, a prefeitura do Rio de Janeiro, por exemplo, constatou que 95% das internações no município por conta do novo coronavírus eram de pessoas que não se vacinaram contra a doença.
“Os estudos mostram que, com a primeira dose de vacina contra a covid-19, a pessoa já tem um grau de proteção contra a infecção pelo vírus, e mesmo pegando a doença, tem menor risco de adoecer gravemente, e também menor transmissibilidade. Essa proteção se amplia com a segunda dose. Portanto, a cobertura ampla da população adulta com pelo menos uma dose é um passo importante no controle da pandemia, e consequentemente na redução da sobrecarga do sistema de saúde”, destaca a infectologista do Hospital de Base Magali Meirelles.
Ela acrescenta que, mesmo com o início da vacinação, medidas como distanciamento social e o uso de máscara continuam indispensáveis. “A variante delta está disseminada no Brasil, e há evidências de que esquemas incompletos, com apenas uma dose, não fornecem o mesmo grau de proteção contra essa variante. A luta contra a pandemia segue, e quanto antes conseguirmos vacinar completamente a maior parte possível da população, mais rápido conseguiremos afrouxar as medidas de distanciamento”, observa.
Projeções
A projeção numérica vai confirmar as estimativas feitas pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de que todos os adultos do país estariam parcialmente vacinados contra a covid-19 até o fim de setembro. E para acelerar a conclusão do esquema de imunização, o ministro disse recentemente que o governo pensa em reduzir o intervalo de aplicação entre a primeira e a segunda dose de algumas vacinas, como a da Pfizer. “O intervalo da Pfizer no bulário é de 21 dias. Para avançar no número de brasileiros vacinados com a primeira dose, resolveu-se ampliar o espaço para 90 dias. Agora que nós já vamos completar a D1 (primeira dose) em setembro, estudamos voltar o intervalo para 21 dias para que a gente possa acelerar a D2 (segunda dose). Se fizermos isso, em outubro teremos mais de 75% da população vacinada com a D2”, comentou Queiroga, na semana passada.
A Santa Casa de Três Pontas foi selecionada dentre mais de 650 hospitais filantrópicos espalhados por todo o Brasil, para participar do Projeto denominado “Saúde em nossas mãos: Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil”.
“Essa escolha obedece a uma série de critérios, e nossa Santa Casa cumpriu todas as exigências apresentadas”, disse o Provedor da Santa Casa de Misericórdia do Hospital São Francisco de Assis, Michel Renan Simão Castro.
Provedor Michel Renan
O projeto é de iniciativa do Ministério da Saúde e PROADI-SUS sendo administrado por Hospitais altamente nomeados, como Oswaldo Cruz, HCor, Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Beneficência Portuguesa e Hospital Moinhos de Vento.
“Durante 24 meses, a UTI da Santa Casa será acompanhada, e a equipe terá suporte educativo dos hospitais mencionados acima, com visitas técnicas, a fim de aprimorar práticas seguras na Unidade de Terapia Intensiva”, destacou o Provedor local.
“Será um período de muito trabalho e desenvolvimento profissional, para atingirmos o propósito de cuidar de nossos pacientes, com ainda mais segurança, evitar infecções e desperdícios”, concluiu Michel Renan.
Quarteto de Ouro: O Provedor Michel Renan, o Diretor Clínico do PAM, Dr. Lucas Erbst, o Diretor Técnico do HSFA, Dr. Geovanni Barros Pereira e o Diretor Clínico do HSFA, Dr. Eduardo Vasconcelos Camargo.
Entenda melhor o Projeto
As Unidades de Terapia Intensiva (UTI) são locais destinados a pacientes que necessitam de cuidados intensivos, onde processos e dispositivos complexos são frequentemente necessários para a manutenção da vida. Alguns desses dispositivos podem aumentar a chance de infecções que causam sofrimento ao paciente, implicar no uso de antibióticos ou aumentar o tempo de internação e o custo do atendimento.
Segundo a OMS, as infecções hospitalares afetam 14 em cada 100 pacientes admitidos nos hospitais. De cada 100 pacientes hospitalizados em um determinado momento, 10 pacientes ficam expostos a infecções associadas a cuidados de saúde nos países em desenvolvimento. No Brasil, o cenário da ocorrência de eventos adversos não é diferente. Nesse contexto, o Ministério da Saúde instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), que tem como objetivo geral contribuir para a qualificação do cuidado em todos os estabelecimentos de saúde do território nacional, públicos e privados. A iniciativa visa somar esforços aos programas nacionais existentes e ao trabalho executado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e Vigilâncias Sanitárias.
O Projeto Saúde em Nossas Mãos tem como objetivo melhorar a segurança dos pacientes com a implementação de práticas das diretrizes de prevenção de infecções relacionadas à ventilação mecânica, uso de cateteres e de sondas vesicais em 119 UTIs das cinco Regiões do Brasil.
Os cinco Hospitais PROADI-SUS do Brasil são: Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Hospital do Coração, Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Sírio Libanês. Todos trabalham de forma colaborativa para a execução do projeto, utilizando métodos de melhoria contínua com o apoio técnico do Institute for Healthcare Improvement(IHI).
Cada Hospital PROADI-SUS apoia 24 UTIs por meio de visitas técnicas de suas equipes aos hospitais participantes, encontros regionais para troca de experiências e sessões de aprendizagem presencial. Além disso, há apoio contínuo à distância e sessões de aprendizagem virtual (SAV).
As ações necessárias para alcançar os resultados esperados também incluem o monitoramento de indicadores e dos testes de mudança, além de estratégias de desenvolvimento de equipes colaborativas, de envolvimento de pacientes e familiares nos processos, e desenvolvimento de lideranças para implantação de segurança do paciente nas instituições.
O projeto está em andamento em todas as UTIs participantes que já receberam cinco ciclos de visitas do Hospital PROADI de referência. Também são realizadas reuniões virtuais mensais com os 119 hospitais participantes e já foram realizadas cinco sessões de aprendizagem presencial.
Após a implementação do projeto foi possível observar que o conjunto de UTIs participantes já reduziram as taxas de infecção de corrente sanguínea em 41%, taxas de infecção do trato urinário em 48% e taxas de infecção de PAV em 28% ate maio de 2019.
A união de esforços tem trazido resultados altamente satisfatórios para a Santa Casa e para a saúde em Três Pontas como um todo.
NÚMEROS EM ALTA: Recuperados segue subindo, assim como o índice de pessoas internadas.
A Prefeitura Municipal de Três Pontas divulgou em sua página oficial o Boletim Epidemiológico desta segunda-feira (23) trazendo não apenas o aumento no número de contaminados, mas também o número de curados. O total de óbitos pela primeira vez se manteve igual em comparação com o boletim de 7 dias atrás. A gravidade dos novos casos é um fator preocupante. A variante Delta, que já foi confirmada no Sul de Minas, ainda não chegou oficialmente em Três Pontas.
Ao todo, desde a confirmação do primeiro caso de coronavírus em Três Pontas, onde esse primeiro caso (uma mulher com comorbidades) chegou a óbito no dia 17 de abril de 2020, a cidade já contabiliza 7.165 pessoas contaminadas pela covid-19. Desse total, 6.807 já se recuperaram e, infelizmente, 163 vítimas acabaram perdendo suas vidas. Isso significa que, hoje, em Três Pontas, de acordo com o Boletim da Prefeitura Municipal, 205 pessoas estão com o vírus.
Números de uma semana atrás
Números de Hoje
Gangorra: No dia 01º de fevereiro de 2021 Três Pontas tinha 552 pessoas confirmadas com coronavírus em isolamento. Hoje o número é maior, com 326 casos. Número chegou a cair para 52 e depois subiu drasticamente. Nos últimos 56 dias havia retomado o ciclo de queda. Agora segue subindo de forma preocupante.
Deve ser levado em consideração o fato de muitas pessoas, possivelmente, estarem com coronavírus de forma assintomática (sem sintomas) e fora das estatísticas da Prefeitura Municipal.
O número de pessoas com síndrome gripal hoje é de 26.528.
Duas pessoas seguem internadas com suspeita de covid-19 na Santa Casa de Misericórdia do Hospital São Francisco de Assis. Outros cinco casos confirmados encontram-se hospitalizados. Há 200 pessoas em isolamento.
O Conexão Três Pontas fez um estudo que mostra que desde a confirmação do primeiro caso de coronavírus na cidade até hoje se passaram 488 dias. Isso dá uma média de 14,56 novos casos a cada 24 horas.
A primeira morte atribuída ao coronavírus ocorreu em Três Pontas no dia 17 de abril de 2020, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Conforme a Vigilância Epidemiológica o primeiro caso confirmado de covid-19 no município acabou, lamentavelmente, evoluindo para óbito.
Evolução nos números dos últimos 7 Dias em Três Pontas:
Confirmados +51
Recuperados +14
Óbitos: igual
Casos em Isolamento +52
Internados -1
Com suspeita +1
Síndrome Gripal +383
“De todos os óbitos por coronavírus em Três Pontas mais da metade tinha Diabetes ou Doença Cardiovascular Crônica!”
ÓBITOS
POR SEXO:
_ 90 Homens
_ 73 Mulheres
POR IDADE:
_ 10 a 19 anos – 01
_ 20 a 59 anos – 54
_ 60 a 79 anos – 75
_ 80 anos ou mais – 33
COMORBIDADES (DOENÇAS PRÉ-EXISTENTES)
_ Diabetes – 51
_ Hipertensão – 39
_ Hipertireoidismo – 01
_ Doença Cardiovascular Crônica – 60
_ Doença Renal Crônica – 08
_ Epilepsia – 01
_ Obesidade – 08
_ Imunodeficiência / Imunodepressão – 02
_ Doença Neurológica Crônica – 08
_ Câncer – 01
_ Síndrome de Down – 02
_ Doença Hepática Crônica – 03
_ Autismo – 01
_ Outra Pneumopatia Crônica – 02
_ Hipotireoidismo – 01
_ Asma – 04
_ Sequela de AVC – 01
_ Lupus – 01
_ Varizes Esofagianas – 01
_ Alzheimer – 02
_ Mialgia – 01
_ Fibromialgia – 01
TEMPO DE INTERNAÇÃO:
_ 0 a 7 dias – 74
_ 8 a 15 dias – 52
_ 16 a 21 dias – 12
_ 22 ou mais – 14
Obs.: 11 pacientes faleceram em outro município. A SMS não tem o tempo das internações.
Diabetes e o Coronavírus
Desde o início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), os organismos de saúde de todo o mundo apontam uma relação de gravidade maior nos casos de infecção em pessoas com diabetes e outras condições pré-existentes, como as cardiovasculares.
Pessoas com diabetes não têm maior probabilidade de contrair Covid-19 do que a população em geral. O problema que elas enfrentam é, principalmente, a gravidade da doença. Esses pacientes têm apresentado taxas muito mais altas de complicações graves e morte do que as pessoas sem diabetes. Além disso, quanto mais condições pré-existentes de saúde alguém tem, a exemplo de doenças cardíacas, maior a chance de complicações graves.
Se a diabetes for bem gerenciada, o risco de ficar gravemente doente com o Covid-19 é quase o mesmo que a população em geral. Já quando o problema não é bem controlado e os indivíduos experimentam açúcar no sangue flutuante, correm o risco de sofrer uma série de complicações relacionadas porque a capacidade do corpo de combater uma infecção no diabético está comprometida.
As infecções virais podem aumentar a inflamação ou inchaço interno em pessoas com diabetes. Isso também é causado por açúcar no sangue acima da meta e ambos podem contribuir para complicações mais graves. Quando doentes com uma infecção viral, esses pacientes enfrentam um risco aumentado de cetoacidose diabética (CAD), que pode tornar difícil gerenciar a ingestão de líquidos e diminuir os níveis de eletrólitos, fundamentais no gerenciamento da sepse (infecções).
Os pacientes diabéticos devem ficar mais atentos quanto aos sintomas, que são os mesmos da população em geral, porque podem evoluir de forma mais grave. Se sentirem febre, cansaço com atividades corriqueiras, queda da oxigenação e elevação da pressão arterial, frequência cardíaca e frequência respiratória, devem procurar imediatamente a Emergência de um hospital ou o seu médico para uma avaliação.
Doença Cardiovascular Crônica e o Coronavírus
O novo coronavírus pode se manifestar de diferentes formas dependendo da pessoa. Desde os primeiros registros da doença causada por ele alguns grupos de risco já foram identificados, como os cardiopatas. Mas afinal, qual a relação entre a Covid-19 e doenças cardiovasculares?
Em primeiro lugar é preciso compreender que quando se fala em grupo de risco não estamos nos referindo às pessoas com maior probabilidade de contrair o vírus, que é igual para todos que tenham contato com uma pessoa infectada. Os grupos de risco da Covid-19 são as pessoas com maior probabilidade de manifestar sintomas graves da doença, podendo levar a óbito.
O American College of Cardiology divulgou um boletim sobre os pacientes hospitalizados com a doença: 50% deles possuíam doenças crônicas, sendo que 40% tinham doença cardiovascular ou cerebrovascular. Entre os casos fatais, 86% tinham problemas respiratórios e, destes, 33% tinham acometimentos cardíacos associados, enquanto 7% tinham acometimento cardíaco isolado.
As pessoas que já possuem algum tipo de doença cardíaca podem ter alterações no seu sistema imunológico, além de um estado inflamatório crônico latente, o que pode agravar a manifestação da doença. Vale ressaltar que este não é um fator de risco isolado para a Covid-19, mas também para outras doenças respiratórias causadas por vírus. Em pandemias causadas por estes microrganismos a mortalidade por doenças cardiovasculares ultrapassou todas as causas.
O risco é ainda maior para pacientes com doenças crônicas, hipertensão, diabetes e alguma doença cardíaca como infarto. Também apresentam mais perigo as pessoas que passaram por alguma cirurgia cardiovascular ou que tenham insuficiência cardíaca.
Além disso, em outros episódios de epidemias respiratórias, como no caso da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), as doenças causaram miocardite e insuficiência cardíaca de rápida progressão. Isso significa que o novo coronavírus, por ter características semelhantes, também possa infectar o coração isoladamente.
Além de manter um estilo de vida saudável para evitar doenças cardiovasculares, é importante agir preventivamente quanto à saúde do seu coração. Cardiopatas e pessoas com histórico de doença cardiovascular na família devem estar em dia com as consultas médicas e a realização de exames, inclusive de diagnóstico de imagem.
A recomendação de medidas de isolamento, distanciamento, higiene e uso de máscara permanecem para todas as pessoas. Porém, o cuidado deve ser ainda maior com aquelas que se enquadrem em um grupo de risco, como os pacientes cardíacos. Cuide-se. Com responsabilidade e prevenção podemos nos proteger da Covid-19.
As medidas de segurança (uso de álcool em gel, uso de máscara e o distanciamento social) precisam continuar sendo respeitadas para que se consiga achatar a curva de contaminação. Outra grande preocupação das autoridades de saúde, além do número de confirmados com covid-19, é o número de pessoas com complicações que venham a precisar de internação no Hospital local, já que o número de leitos disponíveis segue restrito.
Itajubá confirma caso de contaminação com variante mais temida da covid-19 em paciente de 37 anos
A Prefeitura de Itajubá confirmou a contaminação com a variante delta da Covid-19 em um paciente de 37 anos. O comunicado da administração municipal sobre a infecção com a cepa indiana foi divulgado na tarde desta segunda-feira (23).
Conforme a prefeitura, a confirmação ocorreu após uma amostra ser analisada pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte. Segundo a administração municipal, o paciente disse que recebeu, no início de agosto, a visita de um parente de Brasília (DF).
Ainda de acordo com a prefeitura, o paciente e os familiares dele, também contaminados, já se recuperaram do vírus e passam bem.
“A confirmação acende o alerta para a população redobrar os cuidados a fim de evitar a infecção pela nova cepa do coronavírus, especialmente por se tratar de uma variante ainda mais contagiosa e potencialmente perigosa. Os cuidados devem ser mantidos: distanciamento social, uso de máscaras, evitar tocar olhos e boca e higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel 70%”, pontuou a prefeitura.
A confirmação feita pela Prefeitura de Itajubá é o primeiro caso oficializado da variante delta no Sul de Minas. Até então, contaminações pela cepa haviam sido divulgadas em cidades como Belo Horizonte, Juiz de Fora, Virginópolis, Unaí, Itabirito, Carangola, Divido e Uberlândia.
Covid-19 em Itajubá
Conforme boletim epidemiológico da prefeitura, divulgado na noite de domingo (22), Itajubá contabiliza 9.399 casos positivos de Covid-19, sendo 408 mortes em decorrência da doença na cidade.
A Operação Cartão Vermelho 2, da Polícia Federal, foi deflagrada hoje (23) para desarticular um grupo investigado por crimes de corrupção, desvio de recursos públicos federais e fraude em procedimento de dispensa de licitação. As irregularidades foram identificadas no hospital de campanha montado para atender pacientes da covid-19, no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza (CE).
Cerca de 35 policiais federais e oito servidores da Controladoria-Geral da União (CGU) estão cumprindo sete mandados de busca e apreensão, em domicílios de investigados, em Fortaleza e em Brasília.
A ação visa instruir inquérito policial que apura indícios de atuação criminosa de servidores públicos, dirigentes de organização social sediada em São Paulo, contratada para gestão do hospital de campanha, e empresários.
“As investigações tiveram início em 2020 e, a partir dos dados coletados e analisados pela PF e CGU na primeira fase da Operação Cartão Vermelho, deflagrada em novembro de 2020, foram reforçados indícios de conluio entre os investigados para direcionar escolha de organização social, com pagamentos superfaturados, transações com empresas de fachada, desvio de recursos públicos federais e enriquecimento ilícito dos investigados”, detalhou a Polícia Federal em nota.
As investigações continuam com análise do material apreendido na operação policial e do fluxo financeiro dos suspeitos. Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de fraude à licitação, peculato, ordenação de despesa não autorizada por lei e organização criminosa, e, se condenados, poderão cumprir penas podem chegar a 33 anos de reclusão.
Mais 4 milhões de doses da vacina do Butantan contra a covid-19 foram entregues ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) na manhã desta segunda-feira (23). Com o novo lote, o Instituto Butantan chega à marca de 78,8 milhões de imunizantes fornecidos ao Ministério da Saúde para vacinação de brasileiros.
O total de liberações já feitas representa 78% das 100 milhões de doses contratadas pelo Ministério da Saúde para a vacinação de brasileiros em todo país.
A entrega de hoje faz parte da leva de vacinas fabricadas com o lote de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) entregue pela farmacêutica chinesa Sinovac ao Butantan no dia 13 de julho. Na ocasião, chegou ao instituto um total de 12 mil litros da matéria-prima usada para a fabricação dos imunizantes.
A matéria-prima foi envasada no complexo fabril do instituto, na zona oeste da cidade de São Paulo, e passou por etapas como embalagem, rotulagem e controle de qualidade das doses.
As vacinas liberadas nesta manhã fazem parte do segundo contrato firmado com o Ministério da Saúde, com 54 milhões de doses. O primeiro, de 46 milhões, foi concluído em 12 de maio. As entregas foram iniciadas em 17 de janeiro deste ano, quando o uso emergencial do imunizante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Com nova previsão, país terá 68,8 milhões de doses distribuídas no mês
O Ministério da Saúde informou hoje (19) que conseguiu antecipar a chegada de mais 3,9 milhões de doses, para o mês de agosto, de vacinas contra a covid-19. Com a nova previsão de entregas, o mês deve fechar com 68,8 milhões de doses disponibilizadas para a população.
Por conta da antecipação, a expectativa é que os laboratórios entreguem 62,6 milhões de vacinas no mês de setembro. De acordo com a pasta, serão 131,4 milhões de doses em dois meses. A medida faz parte do empenho do governo em vacinar toda a população adulta com pelo menos uma dose até o fim de setembro.
Até o momento, 207,4 milhões de doses foram entregues ou estão em processo de distribuição aos estados e municípios para a campanha de vacinação. Dessas, 172,9 milhões já foram aplicadas, sendo 119 milhões de primeira dose e 52,9 milhões de segunda dose ou dose única da vacina.
O andamento da vacinação pode ser conferido na plataforma LocalizaSUS, atualizada diariamente.
Mortes sobem para 572,6 mil e casos, para 20,4 milhões
O total de vidas perdidas para a covid-19 subiu para 572.641. Em 24 horas, desde o boletim de ontem (18) foram registradas 979 novas mortes.
Ainda há 3.597 falecimentos em investigação. Isso pelo fato de haver casos em que o diagnóstico depende de resultados de exames concluídos apenas após o paciente já ter morrido.
Desde o início da pandemia, 20.494.212 pessoas contraíram a doença. Entre ontem e hoje, foram registrados 36.315 novos diagnósticos positivos de covid-19.
Ainda há 528.524 casos em acompanhamento. O nome é dado para pessoas cuja condição de saúde é observada por equipes de saúde e que ainda podem evoluir para diferentes quadros, inclusive graves.
O número de pessoas que se recuperaram da covid-19 chegou a 19.393.047.
As informações estão no balanço diário do Ministério da Saúde, divulgado nesta quinta-feira (19). A atualização reúne informações enviadas pelas secretarias estaduais de saúde sobre os casos e óbitos relacionados à covid-19.
Estados
No topo do ranking de mortes por estado estão São Paulo (143.752), Rio de Janeiro (61.090), Minas Gerais (52.248), Paraná (36.769) e Rio Grande do Sul (33.887). Com menos mortes estão Acre (1.808), Roraima (1.924), Amapá (1.943), Tocantins (3.637) e Sergipe (5.958).
Vacinação
Até o início da noite de hoje (19), o painel de vacinação ainda não tinha dados sobre as ações de imunização hoje. Até ontem, o número de doses contra a covid-19 aplicadas estava em 172,9 milhões, sendo 119,9 milhões como primeira dose e 52,9 milhões como segunda dose ou dose única.
Conforme as informações mais recentes, foram distribuídas 207,4 milhões de doses da vacna contra a covid-19.
Ciclismo é visto como um dos melhores modais de transporte
Transformar a dor em uma ação positiva, ainda que em meio a processos muito difíceis, foi a experiência vivida pelo economista Persio Davison, de 73 anos. Da trágica morte de seu filho, Pedro Davison, atropelado por um motorista alcoolizado na chamada faixa presidencial do Eixão Sul, em Brasília, ele viu surgir, em todo o país, um movimento de conscientização e de mudanças de atitudes que, desde então, ajudam a melhorar as estatísticas de ciclistas mortos no trânsito.
Todos os esforços de conscientização culminaram na criação do Dia Nacional do Ciclista, em 19 de agosto.
“O Dia Nacional do Ciclista, para nós, é o dia da morte de nosso filho. Por outro lado, é, para a sociedade, um dia de conscientização e de busca por novos caminhos para a mobilidade. Um dia para lembrar que todos temos de ser protetores de todos, e que a realidade só será menos trágica se nos respeitarmos. Um dia para lembrar que temos o mesmo direito de respeito pela escolha sobre como queremos nos locomover”, disse Persio à Agência Brasil.
Foi no dia 19 de agosto de 2006 que, após participar de um churrasco em comemoração ao aniversário da filha Lulu, de 8 anos, que Pedro, aos 25 anos e com um curso de biologia recém-concluído, optou por fazer algo que estava muito acostumado: “dar um pedal”.
Forma de diálogo
O ciclismo, para ele, era mais que um modal de transporte. Era uma forma de manifestar todo o amor que sentia pela natureza e pela vida. Prova disso foi a viagem que fez a Trancoso, na Bahia. Foram 11 dias pedalando e fazendo novas amizades.
“Pedalar, para ele, era uma forma de diálogo com as populações locais. Ele pernoitava em quintais e na casa das pessoas que ia conhecendo. Meu filho fazia disso um modo de vida”, lembra Persio.
Em outra viagem, acompanhado de dois colegas, passou 45 dias pedalando pelo Tocantins e, no retorno a Brasília, margeou o Planalto Central na direção do Pantanal. “A vocação dele, como biólogo e ambientalista, estava presente também no ciclismo”, afirma Persio.
Após o impacto com um veículo a mais de 110 quilômetros por hora (km/h), o jovem Pedro foi arremessado a uma distância de 84 metros e morreu. O motorista Leonardo Luiz da Costa foi encontrado cerca de meia hora depois, tentando escapar de uma blitz no Setor de Indústria e Abastecimento. Ele estava alcoolizado. Sua placa já havia sido informada por um motociclista que testemunhou o crime. A história do biólogo é contada em um curta-metragem chamado Lulu Vai de Bike. Entre as atividades programadas pela organização não governamental (ONG) Rodas da Vida para o Dia Nacional do Ciclista em Brasília está a exibição do curta, às 19h, Espaço Infinu, na 506 Sul. Para acessar a programação, clique aqui.
“Não é acidente. É crime”
“O Dia do Ciclista é ato político. Teve sua origem, mas não é a ela que se volta e sim à defesa do direito de o ciclista ter sua mobilidade segura e respeitada. O foco está na construção e não nas tragédias de tantas perdas. A mensagem é de mobilização e futuro”, resume o pai da vítima, ao se referir à tragédia que, hoje, simboliza uma quebra de paradigmas.
O que antes era visto como “acidente”, desde então passou a ser percebido, tanto pela sociedade quanto pela Justiça, como “crime”.
“Não há acidentes, há crimes no trânsito. Não são circunstâncias acidentais: são decisões conscientes tomadas por um adulto que decide dirigir acima da velocidade permitida, sob efeito do álcool ou transgredindo qualquer outra norma das boas práticas ao volante”, argumenta a coordenadora administrativa da ONG Rodas da Paz, Joyce Ibiapina.
Toda a mobilização decorrente desse crime praticado contra Pedro Davison favoreceu um ambiente que, dois anos depois, em 2008, resultou em uma legislação que salvou muitas vidas no trânsito: a Lei Seca.
Rodas da Paz
Persio lembra que, com a ajuda de organizações como a Rodas da Paz, um movimento tomou conta do país que, por meio do Congresso Nacional, criou leis visando uma “mobilidade respeitosa à vida, com um olhar para os ciclistas e pedestres”. Entre as causas defendidas pelo movimento está “o dever de reconhecimento, pelas leis e pela Justiça, da tipificação de crime no trânsito e a condenação e punição desses crimes pelo Judiciário”.
Na época, lembra Persio, havia o entendimento de que o tombamento impedia a construção de ciclovias em Brasília. “Hoje, o DF lidera a oferta de infraestrutura cicloviária, e a fiscalização mais efetiva tem coibido motoristas transgressores, a direção e o consumo de bebida”.
Em meio à luta pelos direitos dos ciclistas – e ao fato de seu filho ter se tornado um símbolo da causa – Persio e sua esposa, Beth Davison, tornaram-se conselheiros e, no caso dele, vice-presidente da ONG.
“Brasília tem seu simbolismo e cumpre esse papel de incentivo, motivando um movimento nacional para a transformação de nossas cidades e de nossa conduta, de forma a propiciar maior respeito aos ciclistas e aos pedestres, em relação a seus direitos e a uma mobilidade segura”, diz.
Ciclista trespontana Thalise Silva
Economia, clima e saúde
A ONG desenvolve diversas ações nas quais apresenta a bicicleta como o “mais promissor dos veículos” para enfrentar a crise econômica, climática e de saúde que o país atravessa, agravada pela pandemia.
“O transporte por bicicleta é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela ONU Habitat como alternativa ao transporte coletivo e ao transporte individual motorizado, para que as pessoas façam seus deslocamentos com risco reduzido de contágio pela covid-19 e possam praticar exercícios físicos regularmente, o que aumentou o número de bicicletas no mundo todo”, relata Joyce Ibiapina, do Rodas da Paz.
União dos Ciclistas do Brasil
Outra entidade que atua na defesa dos direitos dos ciclistas é a União de Ciclistas do Brasil (UCB), que tem Felipe Alves como um de seus diretores. A entidade também aproveita a data de hoje para chamar a atenção ao “permanente descaso com ciclistas no trânsito”.
“Descaso por parte de motoristas, motociclistas e, principalmente, do Poder Público, tanto federal quanto estaduais ou municipais, que pouco se esforçam para tornar o trânsito mais seguro no Brasil, seja não atendendo às necessidades dos usuários mais vulneráveis (como pedestres e ciclistas), seja afrouxando as leis de trânsito e as punições previstas para condutores que não cumprem a lei”, declarou à Agência Brasil.
Empregos
As duas entidades destacam que os benefícios do ciclismo vão além da saúde, favorecendo também a economia, inclusive por meio da geração de empregos.
Citando estudo divulgado este ano pela Aliança Bike – que tem por base dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de 2020 e 2021 – Ibiapina, do Rodas da Paz, diz que, “mesmo com pouco ou nenhum incentivo, o setor de bicicletas é resiliente e pode ser importante vetor para a recuperação da economia brasileira em momentos de crise e fora deles”.
Considerando empregos com carteira assinada em dois setores da economia da bicicleta no Brasil (o industrial e o varejista), o estudo mostra um impacto inicial negativo da pandemia no setor, especialmente em abril de 2020. “Porém, foi verificada uma rápida recuperação nos meses a partir de maio de 2020, e o balanço do setor foi positivo tanto ao longo do ano de 2020 quanto nos dois primeiros meses de 2021”.
Pandemia
A chegada da pandemia favoreceu e ampliou o uso desse modal, o que pode ser percebido pelo aumento de venda de bicicletas, peças, acessórios e serviços como mecânica, o que também é mostrado por outro estudo da Aliança Bike – este citado pelo diretor da UCB.
Os motivos do maior uso da bicicleta como meio de transporte têm tanto fatores econômicos, por ser mais barato, como sanitários, já que é muito mais seguro que transporte público ou por aplicativo em relação à transmissão do novo coronavírus, afirma.
Ele cita também fatores esportivos, de saúde e de lazer, já que a atividade é recomendada mesmo com as restrições e recomendações durante a pandemia, por ser realizada em espaço aberto e com distanciamento das pessoas.
Ciclista trespontana Renata Andrade
Aumento de sinistros
O crescimento do uso da bicicleta trouxe outro tipo de aumento – o número de sinistros graves, informa a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet).
De acordo com a instituição, houve um “aumento relevante de 30%” no registro de sinistros que exigiram atendimento médico a ciclistas traumatizados nos primeiros cinco meses de 2021.
“Os dados demonstram a importância de termos atenção e iniciativas focadas nesse público. O uso da bicicleta cresceu no Brasil e exige uma abordagem de prevenção ao sinistro”, diz o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior.
Segundo a associação, em janeiro de 2019 foram registrados 1,1 mil sinistros graves com ciclistas, número que subiu para 1.451 em janeiro de 2021, “o mais alto nível no período estudado”.
Os dados avaliados pela associação mostram a evolução dos sinistros graves com ciclistas em todo o Brasil. “Chama a atenção a escalada no registro no estado de Goiás: em 2021, houve um aumento de 240% em relação a 2020, com 406 casos a mais”, diz o levantamento.
Em Rondônia, a incidência de sinistros graves aumentou 113%, e em Sergipe, 100%.
A Abramet avaliou também o perfil dos ciclistas envolvidos em sinistros graves. Cerca de 80% eram homens e a faixa etária predominante é de 20 a 59 anos (60% dos casos).
“A superioridade numérica dos acidentes envolvendo pedestres e motociclistas fez com que os ciclistas fossem negligenciados em relação às políticas de prevenção. Percorrem ruas e estradas, partilhando espaço com veículos pesados. Muitas vezes, sequer sendo percebidos. Comparada a alguém que se desloca em um automóvel, uma pessoa que circula em uma bicicleta tem probabilidade de óbito oito vezes maior”, explica Flavio Adura, diretor científico da Abramet.
Limites de velocidade
A Rodas da Paz tem algumas dicas de segurança que, se seguidas, podem ajudar a tornar a mobilidade do modal cicloviário mais segura, de forma a reverter os números inflacionados pela pandemia e promover uma convivência mais harmônica nas ruas do país.
“Sem baixar a velocidade das vias, é impossível conter a epidemia das mortes no trânsito. Para que seja possível a convivência pacífica e humanizada no trânsito, é necessário a responsabilidade dos condutores de veículos maiores, para que protejam os menores, e a readequação dos limites de velocidade”, afirma Joyce Ibiapina, ao defender investimentos em fiscalização e medidas tecnológicas e de engenharia.
Citando o manual Gestão da Velocidade, elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU), ela diz que as chances de sobrevivência em um atropelamento “diminuem exponencialmente” quando a velocidade de impacto do veículo é maior.
Se a velocidade de impacto do veículo sobre o pedestre for de 32 km/h, as chances de sobrevivência são de 95%. Se a velocidade for 48 km/h, a probabilidade cai para 55%. A partir de 64 km/h, a probabilidade de sobreviver é reduzida a 15%.
“Ciclistas devem trafegar ao lado direito da via, ocupando um terço da faixa e sempre no sentido de circulação regulamentado no local. Para evitar sinistros de trânsito como atropelamentos, os motoristas devem dirigir respeitando o limite de velocidade máxima regulamentada e reduzir a velocidade ao ultrapassar ciclistas, guardando distância lateral de 1,5 metro”, diz a coordenadora da ONG.
Felipe Alves, da UCB, sugere, além da diminuição da velocidade em perímetros urbanos, maior proteção e melhor infraestrutura para ciclistas e pedestres, bem como “investimentos permanentes” em educação para o trânsito. “E, claro, mais rigor nas punições aos infratores”, complementa.
Fonte Agência Brasil
Casal Bremer e Thalise inovou e foi muito elogiado pela produção fotográfica de casamento destacando o amor pela bicicleta.
Aplicação deve ser feita em pacientes com imunidade baixa
Parte da população brasileira deverá receber uma terceira dose da vacina contra a Covid-19. A avaliação foi feita nesta segunda-feira (16) pela secretária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Melo.
Ao participar da reunião da Comissão Temporária da Covid-19 do Senado, nesta segunda-feira (16), a secretária avaliou que a experiência norte-americana – motivada pelo avanço da variante Delta do vírus e pelo relaxamento de medidas sanitárias – de mais uma dose, deverá ser acompanhada pelo Brasil. É o caso de pessoas com sistema imunológico mais frágil como transplantados, portadores do vírus HIV e de pacientes com câncer.
“Temos alguns estudos preliminares, porém esses estudos não foram publicados. São discussões internas, nem podemos publicizar tanto, em respeito aos pesquisadores, porém já estamos tomando decisões em nível de gestão, o que fazer, o que planejar, quantificar esses grupos que precisem, a exemplo do que aconteceu na semana passada nos Estados Unidos”, adiantou. Ainda segundo Rosana, no Brasil, os grupos prioritários, caso a estratégia se confirme, não devem ser diferentes dos priorizados nos Estados Unidos.
Os países que já aplicam a terceira dose se basearam em estudos que indicam que a imunidade diminui com o tempo.
Dúvidas
Ao responderem a perguntas dos senadores, sobre um possível reforço de dose de imunizantes contra o novo coronavírus, os especialistas deixaram claro que algumas questões ainda estão em análise. Perguntas sobre quais imunizantes poderão ter uma terceira dose e se uma pessoa poderá tomar o reforço de uma vacina diferente do que tomou inicialmente, estão nessa lista.
Delta
Especificamente sobre a variante Delta, a avaliação do Ministério da Saúde é que, no Brasil, ela surgiu mais tímida, mas o panorama está mudando. Nesse cenário, o relaxamento de medidas preventivas por parte de gestores da saúde e da população têm contribuído para o aumento do número de casos.
“Entendemos a nossa cultura latina, mas houve um relaxamento mesmo das pessoas mais entendidas em relação a isso”, avaliou.
Também durante a audiência pública a pesquisadora da Escola de Saúde Pública Sérgio Arouca, Margareth Dalcomo, reconheceu que alguns grupos, como idosos que tomaram a CoronaVac, pessoas com deficiência e profissionais de saúde, podem precisar do reforço. Apesar disso, Dalcomo destacou que ainda não há estudos com robustez suficiente sobre a terceira dose.
“Tínhamos parado de hospitalizar pacientes idosos e voltamos a hospitalizar. A grande maioria foi vacinada com CoronaVac”, disse Margareth. A pesquisadora acrescentou que no monitoramento foi identificada a prevalência da variante Delta no Rio de Janeiro, com o aumento de internações nos últimos 10 dias.
Já a diretora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Meiruze de Sousa Freitas, defendeu que a decisão sobre a aplicação de uma dose extra da vacina contra a covid-19 seja tomada com cautela. Segundo ela, para casos de reforço, a maioria dos países têm recomendado doses da mesma vacina já tomada, mas em algumas situações a intercambialidade é permitida.
Ao fazer uma exposição sobre como anda a discussão da terceira dose em outros países, Meiruze explicou que há debates no Reino Unido, França e Alemanha, que devem seguir a experiência de Israel que já adotou a medida. No Chile, para a população mais velha imunizada com a CoronaVac a recomendação é de aplicação de uma nova dose. “Notificamos a Pfizer na [última] terça-feira e agendamos reuniões para esta semana para discutir dados apresentados”, disse. Nos Estados Unidos, a terceira dose foi autorizada para vacinas que usam RNA mensageiro, como a Pfizer e a Moderna.
Meiruze de Souza lembrou ainda a importância de que toda a população seja vacinada com pelo menos duas doses da vacina, o que ainda não aconteceu.
POR QUE ALGUNS IDOSOS CONTINUAM TENDO COMPLICAÇÕES MESMO APÓS A IMUNIZAÇÃO?
A morte do ator Tarcísio Meira, de 85 anos, por complicações da Covid-19 mesmo após concluir o esquema vacinal pode levantar dúvidas em relação à efetividade das vacinas contra a doença. Especialistas médicos, porém, explicam que um caso do tipo não significa um atestado de falta de efetividade dos imunizantes, mas, na verdade, o agravamento do quadro está intimamente ligado ao funcionamento do sistema imune do corpo.
Aos 85 anos de idade, Tarcísio estava em uma faixa de idade em que há a chamada imunossenescência, que é o envelhecimento do sistema imune, responsável pelo combate às doenças no corpo humano. É possível perceber seu efeito, por exemplo, em um estudo que avaliou a efetividade da vacina CoronaVac em São Paulo.
Na análise, a vacina apresentou potência para evitar 80,1% das hospitalizações e 86% dos óbitos quando avaliados o público de 70 a 74 anos. Contudo, quando a análise é fatiada para quem tem 80 anos ou mais, há uma importante queda na robustez da proteção: a efetividade para hospitalizações cai para 43,4% e, de mortes, para 49,9%.
— Existe uma tendência de queda de anticorpos produzidos pela vacina de acordo com o tempo (decorrido após a imunização). Isso para todos, mas com maior intensidade pelos idosos, que tem essa questão da imunossenescência. Ou seja, eles respondem menos à vacina e a tendência, diante dessa resposta imune menor, seria um impacto na proteção (contra a Covid-19) — explica o pesquisador Julio Croda, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.
Além disso, é importante ressaltar que nenhuma vacina é 100% eficaz para casos sintomáticos, internações e mortes. Há, é claro, pessoas que não apresentam resposta imune em todas as idades, mas a prevalência é maior entre os pacientes com idade mais avançada.
— Não dá para afirmar que alguém que tomou duas doses da vacina estará blindado, independentemente da marca (do imunizante)— explica Leonardo Weissmann, médico infectologista do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Weismann explica que a falta de proteção de um percentual de pessoas, em específico, não configura como um “defeito” de determinada vacina, mas sim é esperado para o processo de imunização.
— A grande maioria das pessoas que tomam as vacinas poderão evitar formas graves da doença, internações e mortes. Infelizmente, haverá uma pequena parte da população que não ficará protegida, e isso vale para qualquer vacina, para qualquer doença, independente do fabricante — explica o médico.
Diante desse cenário, especialistas em saúde pedem que mesmo as pessoas totalmente vacinadas usem máscara, mantenham o distanciamento social e evitem aglomerações. Essas são formas eficazes de evitar o contágio e medidas ainda muito necessárias diante do atual patamar de alta transmissão da Covid-19 no Brasil.