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Evanildes Maria da Silveira, de 48 anos, iniciou, há cinco anos, um trabalho de coleta de papelão pelas ruas e empresas do município de Conceição do Coité, a 200 quilômetros de Salvador. Os materiais recolhidos são comercializados para reciclagem, e ela usa o dinheiro obtido para manter os estudos do filho, um jovem de 22 anos que cursa medicina na cidade de Aracaju, capital de Sergipe.

Evanildes é funcionária terceirizada e trabalha como merendeira em uma escola pública de Coité. Por enfrentar constantes atrasos nos salários, diz que já chegou a ficar seis meses sem receber. “Por conta disso, a dificuldade é maior. Com meu filho estudando, eu precisava me programar”, explica. Por meio do conselho de uma colega de trabalho, que já atuava em reciclagem, foi às ruas atrás de um complemento na renda. “Não é muita coisa, mas já é uma ajudinha”, conta.

O filho de Evanildes conseguiu bolsa integral em uma universidade privada de Aracaju, por meio do Prouni (Programa Universidade para Todos). Porém, mesmo sem o custo das mensalidades, ela tem que arcar com os materiais de estudo, aluguel e manutenção pessoal.

Mesmo com a ajuda do governo, por meio do PAE (Programa de Apoio ao Estudante), a mãe diz que o valor não é suficiente para todas as despesas. Com a ajuda dela, o filho já completou dez semestres do curso de medicina e deve se formar no segundo semestre deste ano.

O tio do estudante, José Carlos da Silveira, de 59 anos, também ajuda nos trabalhos de coleta, mesmo com uma deficiência em uma das pernas. “Fazemos para dar uma ajuda na manutenção. Puxo a carrocinha com o peso de domingo a domingo. Para mim, tem sido uma grande fase de fisioterapia”, diz.

Após cinco anos de coletas, Evanildes confessa que pensou que não conseguiria manter o filho no curso. “Até agora mesmo, ainda não é nada fácil. O desejo de toda mãe é ajudar. Fico na expectativa de que ele tenha um grande futuro. Não tenho vergonha de contar isso. Que nossa história motive outros”, diz.

Com informações do CMais, G1 e JusBrasil

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