Categoria: Colunistas

  • DEUS, O SERTÃO E A NOITE por JUAREZ ALVARENGA

    DEUS, O SERTÃO E A NOITE por JUAREZ ALVARENGA

    A solidão encontra seu parceiro na escuridão privilegiada do sertão.

    Lá não existem convicções ateístas, por quanto o ser humano do sertão é aberto à consagração da vida, pelos modos de simplicidade.

    É uma sociedade primitiva, limitada pela falta de conhecimento, porém, essencialmente evoluída e possuidora de valores que captam a felicidade no primeiro olhar.

    Se os dias são metropolitanos, batizados por ações reais, com olfato de gasolina queimada ao meio dia nos aeroportos a noite se compara com a grandeza do pensamento sertanejo que possuem entrada franca para os espetáculos mirabolantes aos portadores da substanciosa felicidade do tamanho de cada personagem.

    No canto do mundo o sertanejo tímido, carrega no peito, a convicção sadia de que Deus democratizou a noite, onde por mais miserável que seja o individuo tem o ingresso de entrada, na generosa escuridão noturna, pois sua permanência é reajustada como a linha entra desenvolta na cabeça do alfinete proporcionado por dadivas divinas.

    A imitação de Deus, pelos sábios metropolitanos arrogantes, cai por terra, porém Deus não compete com o homem, cabe ao individuo apenas sua revelação grandiloquente.

    Nosso sertão, às oito horas da noite, o sertanejo sai, para caçar tatu enquanto na televisão, vemos cenas destruidoras da criatura humana. É o próprio homem caçando seu semelhante.

    Quando, assistimos o “JORNAL NACIONAL” percebemos com clareza o distanciamento do homem sertanejo do metropolitano. A mesma diferença de grandeza entre o homem e Deus.

    Deus, sertão e a noite são complementos significativos que totaliza num único ponto a pequenez humana diante da pseudo altura do prepotente, o homem metropolitano sem seu escudo protetor que é Deus de vigia.

     

     

    JUAREZ ALVARENGA

    ADVOGADO E ESCRITOR

    R: ANTÔNIO B. FIGUEIREDO, 29

    COQUEIRAL    MG

    CEP: 37235 000

    E MAIL: [email protected]

    Curta a página do Conexão Três Pontas no facebook

    www.facebook.com/conexaotrespontas

    12729255_119502638436882_132470154276352212_n

    Roger Campos

    Jornalista

    MTB 09816

    #doadorsemfronteiras

    Seja Doador de Médicos sem Fronteiras

    0800 941 0808

  • Veículo – vício redibitório e sua aplicabilidade no Código de Defesa do Consumidor

    Veículo – vício redibitório e sua aplicabilidade no Código de Defesa do Consumidor

    CIDADÃO: ENTENDA O SEU DIREITO!

    Do vício redibitório

    Vício, genericamente considerado, é o defeito grave que torna uma ou coisa inadequada a certos fins ou funções a que se propõe.

    O verbo redibir significa anular judicialmente uma venda ou outro contrato em que a coisa negociada foi entregue com vícios ou defeitos ocultos, que impossibilitam o uso ao qual se destina, ou que lhe diminuem o valor (Dicionário Aurélio).

    De acordo com o magistério de Washington de Barros Monteiro:

    “Vícios redibitórios são os defeitos ocultos da coisa, que a tornam imprópria ao fim a que se destina, ou lhe diminuem o valor, de tal forma que o contrato não se teria realizado se esses defeitos fossem conhecidos.

    Tais defeitos chamam-se vícios redibitórios porque, quando conhecidos, quando descobertos, produzem a redibição da coisa, isto é, tornam sem efeito o contrato, acarretam-lhe a resolução com restituição da coisa defeituosa ao seu antigo dono.”(Washington de Barros Monteiro, Curso de Direito Civil Ed. Saraiva, 1995, vol. 5, p. 53).

    Descobertos os vícios ocultos, ocorrerá a redibição da coisa, ou seja, torna-se sem efeito o contrato, acarretando-lhe a resolução, com a restituição da coisa defeituosa ao seu antigo dono ou sendo concedido um abatimento no preço, se preferir o adquirente.

    Para que seja caracterizado o vício redibitório, há de estarem presentes os seguintes requisitos:

    1. a) que a coisa tenha sido adquirida em virtude de contrato comutativo, ou de doação onerosa, ou melhor, gravada com encargos, pois o Código Civil, no art. 441, parágrafo único, assim o exige;
    2. b) vício ou defeito prejudicial à sua utilização da coisa, ou determinante da diminuição do valor;
    3. c) que estes vícios sejam ocultos;
    4. d) que os defeitos sejam graves;
    5. e) que o defeito já existia no momento da celebração do contrato e que perdure até o instante da reclamação.

    Por defeituoso tem-se todo produto que não possui a qualidade necessária para desempenhar a função que dele legitimamente se espera, ou seja, não atende à finalidade para a qual se propõe, ou seja, não tem a qualidade necessária para ser funcional.

    Caso o produto seja produzido em série e aqueles fabricados sob as mesmas condições na mesma série apresentem o mesmo vício, presume-se que o fornecedor não conseguiu colocar o produto em condição de pleno uso e de forma apropriada para o consumidor.

    Assim, o consumidor poderá se valer das hipóteses do parágrafo 1º do artigo 18 do CDC (Código de Defesa do Consumidor), ou seja:

    pedir outro produto;

    a restituição da quantia paga ou;

    solicitar o abatimento proporcional, sem prejuízo de eventual indenização por perdas e danos.

    Consoante tal regra, o direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação, tratando-se de produto não duráveis, caduca em 30 dias, tratando-se de fornecimento de produto duráveis, o prazo se estende por 90 dias.

    Da responsabilidade pela reparação do dano ao consumidor

    A responsabilidade civil consiste no dever de reparação de dano sofrido por determinada pessoa. A definição da palavra “responsabilidade” tem origem no latim, do verbo respondere, que significa a obrigação que alguém tem de assumir com as consequências jurídicas de sua atividade.

    A responsabilidade, portanto, do fabricante, produtor, construtor e do importador, ocorrerá independentemente da investigação de culpa (responsabilidade objetiva), ou seja, será desnecessária a averiguação de negligência, imperícia ou imprudência, sendo suficiente que o consumidor demonstre o dano ocorrido (acidente de consumo) e a relação de causalidade entre o dano e o produto adquirido (nexo causal).

    Já, quanto ao comerciante, que é aquele que promove, de forma habitual e profissional, a atividade de compra de mercadorias para revenda, dispõe o CDC (Código de Defesa do Consumidor) em seu art. 13, em relação à responsabilidade:

    “Art. 13– O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando:

    I – o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados;

    II – o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador;

    III – não conservar adequadamente os produtos perecíveis.

    Parágrafo único– Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito de regresso contra os demais responsáveis, segundo sua participação na causação do evento danoso.”

    Citemos por exemplo o consumidor que adquire um veículo de uma concessionária.

    A nota fiscal será expedida por esta, mas quem o pôs a venda foi o fabricante. Assim, ambas participaram da cadeia de consumo, havendo solidariedade entre elas.

    O que se buscará então no caso mencionado, é a responsabilidade de ambos os fornecedores, ou seja, do fabricante e do comerciante, tendo em vista que ambos fornecem bens de produção ao mercado, com habitualidade, devendo, portanto, terem consciência de que, por serem os titulares do conhecimento técnico acerca do que lançam no mercado de consumo, assumem posição de superioridade técnica em relação aos consumidores que desfrutam de seu produto.

    Em suma, são responsáveis solidários todos que participaram, de maneira efetiva, da produção, circulação e distribuição dos produtos, cabendo ao consumidor a escolha daquele contra quem dirigirá à sua pretensão, assegurado ao demandado, contudo, o direito de regresso.

    Portanto, tendo o consumidor adquirido o veículo com vício na concessionária, são legitimados a responder pelos vícios tanto o comerciante (concessionária), quanto à fábrica (montadora). A responsabilidade é solidária, cabendo assim ao consumidor optar por formular a presente demanda judicial em face de qualquer um desses fornecedores, ou mesmo de todos conjuntamente.

    Dos prazos legais

    O consumidor que adquire bens de consumo duráveis ou não duráveis tem garantias estabelecidas por lei que independem da garantia oferecida pelo fornecedor.

    Os bens de consumo duráveis são aqueles que podem ser utilizados várias vezes durante longos períodos, como por exemplo, os automóveis, eletrodomésticos, etc. Enquanto que, os bens não duráveis são aqueles feitos para serem consumidos imediatamente, como, alimentos, embalagens, etc.

    A garantia para bens duráveis é de 90 dias e dos bens não duráveis de 30 dias, ambos contados da data do recebimento da mercadoria.

    Há no mercado de automóveis, atualmente, a afirmação facilmente constatável, por meio dos inúmeros comerciais com os quais somos bombardeados diariamente, de fabricantes que ofertam aos seus consumidores, até cinco anos de garantia em seus veículos, com quilometragem ilimitada. Aqui, nesse caso, pode-se afirmar que se trata de uma vida útil razoável para um bem classificado como durável.

    Certamente, não se poderia, sob o critério da vida útil do bem, como já afirmou o STJ, afirmar-se que menos de cinco anos ou 100.000 Km seria um prazo razoável de vida útil para um veículo, do qual se espera bem mais, para ser usufruído como um bem de consumo de maior durabilidade.

    Assim, é razoável esperar do consumidor, em conformidade com a legislação consumerista, devolver o veículo ao fabricante e ter a quantia do que pagou restituída, monetariamente atualizada, tudo de conformidade com o inciso II, § 1º do art. 18 do CDC.

    Porém, conforme assevera a doutrina consumerista, o Código de Defesa do Consumidor, no § 3º do art. 26, no que concerne à disciplina do vício oculto, adotou o critério da vida útil do bem, e não o critério da garantia, podendo o fornecedor se responsabilizar pelo vício em um espaço largo de tempo, mesmo depois de expirada a garantia contratual.

    Com efeito, em se tratando de vício oculto não decorrente do desgaste natural gerado pela fruição ordinária do produto, mas da própria fabricação, e relativo a projeto, cálculo estrutural, resistência de materiais, entre outros, o prazo para reclamar pela reparação se inicia no momento em que ficar evidenciado o defeito, não obstante tenha isso ocorrido depois de expirado o prazo contratual de garantia, devendo ter-se sempre em vista o critério da vida útil do bem.

    Ademais, independentemente de prazo contratual de garantia, a venda de um bem tido por durável, com vida útil inferior àquela que legitimamente se esperava, além de configurar um defeito de adequação (art. 18 do CDC), evidencia uma quebra da boa-fé objetiva, que deve nortear as relações contratuais, sejam de consumo, sejam de direito comum.

    Constitui, em outras palavras, descumprimento do dever de informação e a não realização do próprio objeto do contrato, que era a compra de um bem cujo ciclo vital se esperava, de forma legítima e razoável, fosse mais longo.

    Do Dano Moral

    Caracteriza-se dano moral, quando sobrevindo em relação ao ato ilícito, perturbação nas relações psíquicas da vítima, nos seus sentimentos de tranquilidade.

    Nesse caso as perdas e danos sempre serão possíveis. A posição do STJ em relação à reparação é essa:

    “O vício do produto ou serviço, ainda que solucionado pelo fornecedor no prazo legal, poderá ensejar a reparação por danos morais, desde que presentes os elementos caracterizadores do constrangimento à esfera moral do consumidor. Se o veículo zero-quilômetro apresenta, em seus primeiros meses de uso, defeitos em quantidade excessiva e capazes de reduzir substancialmente a utilidade e a segurança do bem, terá o consumidor direito à reparação por danos morais, ainda que o fornecedor tenha solucionado os vícios do produto no prazo legal” (STJ, REsp. 324629 / MG, Relª. Min. Nancy Andrighi, DJ 28/04/2003).

    Algumas montadoras recentemente chegam a ofertar no mercado garantia de cinco anos com limites ilimitados de quilometragem, então, no caso do vício oculto, irrelevante que o prazo de garantia tenha se expirado.

    A melhor doutrina define:

    “Dano moral é o que atinge o ofendido como pessoa, não lesando seu patrimônio. É lesão de bem que integra os direitos da personalidade, como a honra, a dignidade, intimidade, a imagem, o bom nome, etc., como se infere dos art. , III, e 5º, V e X, da Constituição Federal, e que acarreta ao lesado dor, sofrimento, tristeza, vexame e humilhação” (Carlos Roberto Gonçalves, Dir. Civil Brasileiro, 2009, p.359).

    O instituto do dano moral está presente hoje também no CDC como direito básico do consumidor:

    Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

    I – a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;

    II – (omissis)

    VI – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;

    VII – o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;

     

    GABRIEL FERREIRA DE BRITO JÚNIOR – OAB/MG 104.830

    Advogado na Sério e Diniz Advogados Associados desde 2006, Especialista em Direito Civil e Direito Processual Civil pelo Centro Universitário Newton Paiva (2006), Graduado em Direito pela Faculdade de Direito de Varginha – FADIVA (2001), Oficial de Apoio Judicial (Escrevente) do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais por 10 anos (1996-2006), Conciliador Orientador do Juizado Especial Itinerante do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (ano 2004).

    Cel.: (35) 9 9818-1481

    Escritório: (35) 3265-4107

    [email protected]

    Endereço: Rua Bento de Brito, 155 – Centro

    Três Pontas/MG

    CEP: 37190-000

    Sério & Diniz Advogados Associados

    Curta a página do Conexão Três Pontas no facebook

    www.facebook.com/conexaotrespontas

    12729255_119502638436882_132470154276352212_n

    Roger Campos

    Jornalista

    MTB 09816

    #doadorsemfronteiras

    Seja Doador de Médicos sem Fronteiras

    0800 941 0808

  • QUANDO A PENSÃO ALIMENTÍCIA DEVE SER PAGA PELOS AVÓS?

    QUANDO A PENSÃO ALIMENTÍCIA DEVE SER PAGA PELOS AVÓS?

    CIDADÃO ENTENDA O SEU DIREITO.

     

    A obrigação alimentar (pagar pensão alimentícia/alimentos) está imputada geneticamente aos pais, podendo, contudo, ser transmitida aos avós em caráter subsidiário e complementar, quando comprovado que os genitores (pais) não estão em condições de satisfazê-la.

    Deve restar comprovado que os pais não possuem condições suficientes de arcarem sozinhos com a mantença do infante (filho), razão pela qual cabe chamar os avós para complementarem a mantença do menor.

    A pensão alimentícia paga pelos avós, diferente da paga pelos pais, não tem por objetivo manter seu nível de vida compatível com a situação financeira e a condição social dos avós, pois os netos devem viver de acordo com a condição financeira dos pais, sendo a obrigação avoenga (obrigação dos avós em pagar a pensão alimentícia) somente no sentido de atender as necessidades básicas.

    Em recente estudo sobre o assunto, foi aprovado um enunciado que serve como orientação para casos semelhantes a esses, onde foi conferida uma interpretação muito restrita e correta do artigo 1.698 do CC.

    Segundo o “Enunciado 342”, observadas as suas condições pessoais e sociais, os avôs somente serão obrigados a prestar alimentos aos netos em caráter exclusivo, sucessivo, complementar e não solidário, quando os pais estiverem impossibilitados de fazerem, caso em que as necessidades básicas dos alimentandos (quem recebe a pensão alimentícia) serão aferidas (calculadas) prioritariamente, segundo o nível econômico e financeiro dos genitores, jamais dos avós, sejam paternos ou maternos.

    Assim já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, in verbis:

    “O encargo alimentar é obrigação tida em primeiro lugar, entre pais e filhos, somente recaindo sobre os ascendentes, em caráter subsidiário e complementar, e, quando comprovada a impossibilidade de cumprimento da obrigação pelos primeiros obrigados.” (STJ – REsp: 1298301 PR 2011/0284094-5, Relator: Ministro RAUL ARAÚJO, Data de Publicação: DJ 27/02/2015)

    “a responsabilidade dos avós de prestar alimentos é subsidiária e complementar à responsabilidade dos pais, só sendo exigível em caso de impossibilidade de cumprimento da prestação – ou de cumprimento insuficiente – pelos genitores.” (REsp 831.497/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, julgado em 4/2/2010, DJe de 11/2/2010).

    Isso demonstra que a complementação da pensão pelos avós serve apenas para preservar o mínimo existencial, desdobramento do princípio da dignidade da pessoa humana, fundamento da República e nunca para melhorar a condição econômica social do neto, uma vez que a obrigação de sustento sempre foi, é, deve ser e sempre será dos pais, sob pena de inversão total de valores, como uma espécie de punição para os avós que já cumpriram tais obrigações familiares ao longo de toda a vida.

     

    GABRIEL FERREIRA DE BRITO JÚNIOR – OAB/MG 104.830

    Advogado na Sério e Diniz Advogados Associados desde 2006, Especialista em Direito Civil e Direito Processual Civil pelo Centro Universitário Newton Paiva (2006), Graduado em Direito pela Faculdade de Direito de Varginha – FADIVA (2001), Oficial de Apoio Judicial (Escrevente) do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais por 10 anos (1996-2006), Conciliador Orientador do Juizado Especial Itinerante do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (ano 2004).

    Cel.: (35) 9 9818-1481

    Escritório: (35) 3265-4107

    [email protected]

    Endereço: Rua Bento de Brito, 155 – Centro

    Três Pontas/MG

    CEP: 37190-000

    Sério & Diniz Advogados Associados

     

    Curta a página do Conexão Três Pontas no facebook
  • NERUDA – Por Nilson Lattari

    NERUDA – Por Nilson Lattari

                Quando conheci Neruda, por questões de destino, o li em espanhol. Não que dominasse a língua, era um aprendiz recente. Aprendi a respeitar a própria essência da poesia, quando a lemos em sua linguagem natal. Traduzi-la é uma tentativa torpe e manca de transformar um clima, patrocinado pelo lúdico da língua, em outra língua.

    Com receio de agraciar uma namorada com algum poema de minha autoria, dei-lhe de presente um texto que me pareceu perfeito: “Cem sonetos de amor”. Era chic presentear, naqueles tempos, um livro de Neruda. Todos liam. Estava até na música de Francis Hime.

    Nunca perguntei se gostara. Nunca comentou, pelo menos comigo. Acho que não, ou por não ter gostado ou não entender espanhol. Em nossa briga final, devolveu o presente, ao contrário da relutância da amante de Hime, na música. E foi assim, a discorrer no papel o infortúnio que passei a sentir, que me vi diante do poeta. Mas Neruda não falava de desafortunados, sua linguagem trazia a presença de um observador do mundo, e crítico de nossa pobre humanidade. Todos, que se dizem poetas, tentam e somente os magos conseguem.

    Nunca havia lido Neruda, o li depois disso, – eis aí a questão do destino, e acho que compreendi o motivo da influência da sua poesia em uma geração latino-americana, sedenta de liberdade política e consequentemente de um fazer poético que traduzisse, com sangue no lápis, derramado no papel, toda a frustração de sentir e não poder fazer, e por isso o dizer ficasse cada vez mais forte, escondido no surreal, no simbolismo de personagens, para romper com a própria inexistência da vida política que não podia ser dita.

    Agradeci muitas vezes a devolução do presente, e acabei, então, me dando um. Comprado por um impulso de moda, largado na existência, e na solidão, encontrei um desafogo para o fora que ganhei. Assim ganhei duas vezes. Fomos dois incompreendidos: eu e o poeta.

    Fico imaginando Neruda em seus gestos lentos, seu rosto hitchcockiano, com uma lente toda própria, o cachimbo, a boina a proteger a cabeça, o texto não dizendo sobre o homem. Mas o homem, através do seu texto, desnudando o mundo através dos pensamentos vagos e viajante temporal de elucubrações.

    Espremido no mapa magro do Chile, um homem distante, ao sul do mundo, se lança no discurso universal do anseio de liberdade que corria naqueles idos sessentinos, até culminar na ruína do socialismo saliente do povo chileno. O poeta morreu ao sucumbir os sonhos de liberdade. Envergonhada, a humanidade ficou ao ver o poeta preso em um mundo subterrâneo, submetido às sandices de fuzis e torturas infindáveis; entre uma doença ou um assassinato?

    Como seria um poeta na tortura?

    – Diga-me todos os poemas para que possamos destruí-los, retirando os pensamentos vagos e torturantes além de nossa compreensão, diriam os torturadores.

    Talvez respondesse o poeta, na pregação da liberdade que nutria e via, de verdade, a palavra única e incompreensível, dizendo que “Cuando aprendi com lentitud a hablar creo que ya aprendi la incoherencia: no me entendia nadie, ni yo mismo, y odié aquellas palabras que me volvían siempre al mismo pozo, al pozo de mi ser aún oscuro, aún traspassado de mi nacimiento, (…)”.

    Buscaria a mais incompreensível para seus algozes, na tentativa poética de continuar a ser incompreendido.

    Fui torturado pelo coração, por muitos anos, pelo abandono de Aninha. Apenas chorei, e escrevi. Aninha tornou o amor, para mim, incoerente, e mudei a minha forma de amar, mas sempre voltava para ele.

    Soube depois, se formou em Nutrição, e me enviou alguns postais sobre uma viagem à Europa. Perguntei-lhe se não gostaria de conhecer a América do Sul. Pensei num retorno, um passeio pela terra do poeta. Falou com desdém da minha proposta. Jamais ela entenderia Neruda, mas eu aprendi a amar os versos.

     
     Nilson Lattari

    Curta a página do Conexão Três Pontas no facebook
  • OPINIÃO: BRASIL, UM PAÍS DE MARIONETES

    OPINIÃO: BRASIL, UM PAÍS DE MARIONETES

    O Brasil é um dos países mais desleais, preconceituosos, desiguais e corruptos do mundo. Nem na Mongólia, Somália, Etiópia e Zimbabue, países extremamente miseráveis, há tanta desigualdade quanto aqui. Em “Terras Brasilis” poucos têm tudo (grana, sorte, ajuda, favor, lei, justiça, poder, etc) e muitos não têm nada, ou quase nada. Ah, o povo brasileiro é caridoso… Pode ser, mas fica em segundo plano. O povo brasileiro é uma “vaca de presépio” que diz sim senhor pra tudo, principalmente para os seus interesses pessoais.

    A cordialidade tupiniquim aqui é mascarada. Ela esconde o jeitinho brasileiro de se levar vantagem em tudo. Falam dos grandes escândalos, imensos roubos, mensalão, sanguessugas, fraude no INSS, Lava Jato, etc. Mas aqui começa a se roubar pequeno, desde pequeno, coisas pequenas. Roubam até a alma, as idéias e os ideais do brasileiro. Compram votos porque tem gente que se vende por um punhado de tijolo, menos até, por um quilo de carne de segunda.

    Se a maioria dos políticos não presta é porque a maioria dos eleitores é facilmente manipulada. O Brasil é lindo, o Rio de Janeiro é lindo… Nem tanto! Só um pedaço, a rica zona sul. É lindo pra quem tem grana pra viajar, gastar, pagar, curtir. Para o trabalhador humilde esse país é uma grande cadeia a céu aberto, onde se vive o regime do autoritarismo, do feudo, da escravidão. Vivemos presos, enjaulados pela violência e criminalidade. Aqui o rico manda no Brasil e o pobre, sem apoio da política, da justiça e das leis, míngua a cada dia. Vai na favela ver a criança passando fome, o pai desempregado, o filho traficando e a menina se prostituindo em busca de uma vida melhor e vê se esse Brasil é tão lindo quanto as mídias tendenciosas tentam mostrar. Aqui se vende o almoço pra comprar o jantar. Isso é vida?

    Aqui no Brasil se faz o melhor carnaval do mundo, mas não se consegue construir um hospital de referência contra o câncer onde o pobre deveria ser tratado de forma digna. O Brasil finge ser emergente, estar emergindo. Na verdade é um “paísinho” de 200 milhões de iludidos e enganados, de gente graúda metida a besta, de uma turminha que come mortadela e arrota caviar. O ditado mais verdadeiro para nós brasileiros é “cada país tem o governo que merece!” A caridade e o jeito amável do brasileiro em receber os turistas só vão até a página dois, pois o restante do livro mostra páginas de golpes, roubos, furtos, má fé, de novo o tal jeitinho verde e amarelo de ser.

     

    Aqui no Brasil nossa gente gasta água pra lavar carro, calçada, rua, estátua, etc. Mas ninguém consegue acabar com a seca do Nordeste. Aliás, não se acaba porque a indústria da seca mantém o alto padrão de vida de muitos tubarões e caciques por aí. E essa tal indústria, vale pra tudo. Tem a indústria do superfaturamento, indústria das mortes nas estradas, afinal de contas quando uma pessoa morre no asfalto, médico, hospital, seguradora, plano de saúde e funerária sempre acabam levando um certo lucro diante da tragédia alheia. O absurdo é que diante de tanta “indústria” é inaceitável não ter trabalho para o pai de família.

    E a questão do preconceito? Apesar das exceções, somos racistas sim, preconceituosos sim! Queremos que todos os outros se encaixem nos nossos moldes, nossos padrões. Para muitos, um negro dirigindo um carrão é motorista de alguém. Um negro namorando uma “branquinha” é chocante. Um nordestino, um gay e uma prostituta na visão de alguns carecas nazistas devem ser torturados e eliminados. Aqui mesmo em Três Pontas, o que tem de gente preconceituosa ede nariz em pé é uma festa. Gente que se preocupa com o umbigo alheio é uma enormidade. Falam bem pela frente e mal pelas costas. Desfilam carrões mesmo devendo muito para os bancos. É a competição dos que têm mais e dos que se acham mais que os outros.

    Temos um tevê comprada. A Globo só mostra aquilo que tem interesse e a Record está na mão de um fascista travestido de pastor. A polícia ganha uma miséria e o professor idem. Sem segurança e educação o menininho na favela sonha: Quando crescer eu quero ser traficante! Inversão total de valores. Falta de escrúpulos, vergonha na cara e ação dos governantes. Ah, mas agora o povo está se mobilizando. Será mesmo? Será que isso surtirá efeito? Qual o real propósito disso? Será que nós, vaquinhas de presépio, sem perceber, estamos sendo guiados e teleguiados por poderosos que se camuflam no meio do povo posando de salvadores com interesses escusos?

    Mas o povo aprova tudo isso!

    Em suma, falta muito, mas muito mesmo, léguas, quilômetros, anos, décadas para o brasileiro se olhar no espelho e enxergar realmente algo de importante refletido no vidro. Mas devemos lutar sim, pelo menos os poucos que resistem a tudo e a todos, que são mal vistos e difamados por agirem e por falarem o que pensam.

    Queremos nossa cidadania de volta, nossos direitos, a liberdade de expressão que aqui não existe, pois vivemos uma ditadura enrustida. Queremos comida, segurança, trabalho, transporte. Queremos saúde, hospitais e dignidade. Queremos educação e educadores respeitados. Mas queremos de verdade e não em vãs promessas, bravatas e xavecos verbalizados pelos bandidos de terno.

    Como diria o saudoso José Alencar “Eu não tenho medo de nada, de pressão, de poder, de pessoas. Não tenho medo nem do câncer que me consome. Eu tenho medo é da desonra.”

    Que esse momento, esse movimento recente não seja “amor de verão” e não tenha a mesma utilidade da água de salsicha. Queremos mudança, resultados nesse berço esplêndido. Afinal, seu povo não foge à luta. E que o Brasil verdadeiramente se torne uma pátria amada.

    Jornalista Roger Campos

    Curta a página do Conexão Três Pontas no facebook

    www.facebook.com/conexaotrespontas

    12729255_119502638436882_132470154276352212_n

    Roger Campos

    Jornalista

    MTB 09816

    #doadorsemfronteiras

    Seja Doador de Médicos sem Fronteiras

    0800 941 0808

  • E A COPA É DO MUNDO? Por Nilson Lattari

    E A COPA É DO MUNDO? Por Nilson Lattari

              O mês de julho de 2018 é a Copa do Mundo, o encontro das grandes seleções de futebol do planeta. É tempo de festa, ruas coloridas, muita camiseta amarela nos corpos. Será?

    Durante muitos anos misturamos a pátria com as chuteiras, noventa milhões em ação, a política se valia das chuteiras dos craques para uma autoafirmação do país. No entanto, a realidade não corresponde aos fatos. Aquilo que nos unia, ou nos fazia unidos se desfez no ar, quando, realmente, a política, no seu lado prático das ruas, tomou posse da camisa amarela como uma postura, visivelmente dentro de um país dividido. O comércio acusa que a camisa azul, no Brasil, já vende mais do que a amarela. A justificativa de um lojista é de que um lado não quer ser confundido como o golpista, e o outro pelo mesmo motivo. A camisa amarela voltou a unir o povo, que assim como o presidente muitos não querem. O amarelo, de fato, passou a ser o mote: se todos os gostos fossem iguais, o que seria do amarelo? De ouro passou a ser vergonha, ou em palavras suaves, o constrangimento.

    E a copa que sempre julgamos como sendo nossa, apenas, transitoriamente, ficando na posse de outros, veio ao encontro do completo desinteresse por ela, e, portanto, a copa agora é do mundo. Não se veem muitos brasileiros andando pelas ruas usando a camisa. Nem parece Copa do Mundo. Fica a impressão que a seleção foi desclassificada na fase eliminatória.

    Mudamos? Vamos mudar? Enfim o nosso interesse de ver a rede balançar não será mais tão grande como os nossos corações aflitos aguardando o Brasil ser chocalhado, esperando o resultado de novembro? Será outro sete a um?

    Já foi dito que no Brasil nem a máfia deu certo. E agora a copa entra nesse rol, o sete a um ficará em nossas lembranças, assim como o Uruguai na década de 50.

    Um povo demonstra sua capacidade de mudar quando as perspectivas mudam, quando o foco muda, quando as importâncias mudam. Finalmente, estamos descobrindo quem somos nós? Muito difícil responder. A bola já está rolando no Brasil, e ela não é redonda, está quadrada, difícil de rolar pelo gramado.

     

     
     Nilson Lattari

    Curta a página do Conexão Três Pontas no facebook
  • A VIDA EM ABERTO – Por JUAREZ  ALVARENGA

    A VIDA EM ABERTO – Por JUAREZ  ALVARENGA

             Todas as manhãs são diferenciadas, quando acordamos convictos de que a vida é um eterno desafio e não momentos repetitivos e incômodos.

    Carregamos para o dia o peso dos nossos sonhos noturnos, como as formigas carregam as folhas para alimentar. Tendamos jogar diurnamente nossos passos íntegros e consistentes em direção aos horizontes distantes.

    Começo as manhãs dividindo minhas ações. Nunca traço metas, para terminar, no mesmo dia. Isto mostra a grandeza e a complexidade de minhas utopias. Mas, quantos quilômetros rodar meu velocímetro vivencial real dentro do dia melhor.

    Existem sonhos imediatos, independente do tamanho, como sonhos que varam gerações. Os perfeccionismos dos atos com a paciência e tempo é a receita infalível, que nos levam aos êxitos fatalmente.

    Nossas mentes devem ser um trator em movimento, que locomove, com sucesso, os mais resistentes obstáculos  que apareça dentro de nossas existências.

    O aroma da manhã, deve cheirar realismo. Buscar com nossos olfatos e sentir a deterioração das resistências mais acidas.

    As mentes que se aventuram a ultrapassar as fronteiras dos obstáculos, transformam-se em soberbas águias apaixonadas pelas alturas.

    A vida deve sempre estar em aberto, como os deliciosos romances da literatura clássica, porém, somente assim, construirá originais e fecundos enredos gravitacionando nossa existência de soberba felicidade.

    Não basta, para nós somente, a vontade de voar. É necessário ter abundancia de espaços onde podemos treinar e até errar. Até acertar as asas com as pericias dos pássaros.

    Apesar do avanço de nossa idade, não existe voo de que possa aprender. As destrezas vêm com treinos e as acrobacias perfeitas com a idade.

    Tantas nossas vidas, pessoais ou profissionais, devem estar livres, apesar dos acontecimentos lentos que nelas se envolvem.

    Hoje, compreendo porque minha vida, ainda está em aberto. É porque faço do espaço virgem, uma avenida, onde somente caminham, com o sucesso, os treinados pela existência.

    Escondo dentro de minha mente os obstáculos reais, não para fugir dos óbices, mas para traçar um trajeto, onde só passa com as astucia do brilho interior em ação.

    Não é a idade que tranca seus sonhos, e, sim sua mente abarrotada de ceticismos provocados pelo avanço do tempo.

    Devemos ter objetivos eternos, se a vida impõe muralhas resistentes, o peso da idade derrubará com suas experiências.

    A vida está sempre em aberto se você estiver atendo e com coragem de carregar seus sonhos, até o dia inesquecível  de sua realização final.00

     

    JUAREZ ALVARENGA

    ADVOGADO E ESCRITOR

    R: ANTÔNIO B. FIGUEIREDO, 29

    COQUEIRAL    MG

    CEP: 37235 000

    E MAIL: [email protected]

    Curta a página do Conexão Três Pontas no facebook

    www.facebook.com/conexaotrespontas

    12729255_119502638436882_132470154276352212_n

    Roger Campos

    Jornalista

    MTB 09816

    #doadorsemfronteiras

    Seja Doador de Médicos sem Fronteiras

    0800 941 0808

  • MY STORY – Por Nilson Lattari

    MY STORY – Por Nilson Lattari

              Na verdade, eu não vou contar para vocês “my story”. My story era o apelido do Josué, um contínuo que eu conheci, lá na repartição. Quando convivemos com um grupo de pessoas, durante boa parte do dia, as histórias, patrocinadas pela convivência, passam a fazer parte da nossa memória. Porém, o My story, nosso contínuo, tinha muitas outras histórias.

    Para começar o My story não era um contínuo qualquer. Ele não parecia ter o perfil. Ninguém sabia por que cargas d’água ele apareceu por lá para tomar posse. No dia, ele estava impecável no seu terno e gravata. Foi-lhe comunicado que a vestimenta de contínuo era um uniforme. Ele, no entanto, não se fez de rogado e se vestiu conforme as normas da repartição. Mas, sempre que chegava e saía do trabalho vestia o seu terno e gravata.

    Algumas vezes para zoar com ele, o nosso chefe imediato pedia algum serviço externo, em outra repartição, e o coitado trocava a vestimenta e saía para executar o serviço. Voltava e colocava novamente o uniforme.

    Mas o My story não tinha uma história, mas imaginação, aliás, tinha muita. Para começar ele faltava muito. Daí, pelo excesso de faltas ele estivesse mais para alternado do que para contínuo. E cada uma das faltas tinha uma justificativa. Todas com uma comprovação. Mas a grande preferência do My story, quando o assunto não envolvia faltas, era o seu afilhado, de quem falava sempre elogiando como um jovem talentoso.

    Tinha muitos primos. E por esse motivo, nas desculpas das faltas, havia sempre um primo no centro delas. Perguntávamos se todos eram oriundos do Rio Grande, do norte, de Jardim de Piranhas, seu local de nascimento. Ele confirmava que sim. Mas, o legal mesmo, é que o My story nunca se irritava, e por estar sempre de bom humor tornava-se um sujeito simpático, mesmo quando, por curiosidade, queríamos saber como se chamava alguém nascido naquelas paragens: se era jardineiro ou piranhudo.

    Aliás, primo é um personagem que se encaixa em qualquer história. Diferente de tios e irmãos, primos podem ser de qualquer idade, tamanho, procedência e, inclusive, grau. Quando queremos ajudar alguém, dizemos: Vai lá e diz que é meu primo. Ou então: Esse cara é um primo meu e tal … E sempre morria um, dos primos do My story. E morria de uma morte comprovada, ou de um acidente verídico.

    Todas as vezes que acontecia uma tragédia na cidade como incêndios, desmoronamentos, acidentes automobilísticos, lá estava um primo do My Story presente, morto ou acidentado. Ele apontava no jornal: Meu primo! Tinha que prestar uma assistência, porque a família achava que ele resolvia tudo, dizia.

    Sujeito muito prestativo, atencioso, quando comparecia, My story foi caindo nas graças dos chefes, não importando quem fosse. Eles já chegavam à repartição e perguntavam se ali trabalhava o Josué. Faziam questão de conhecê-lo e cumprimentá-lo. Esse comportamento, com o tempo, foi-nos acostumando àquela figura e suas desculpas, comprovadas, como ele dizia. E o alternado passou a ser um novo cargo na repartição.

    Com uma mudança de governo, um novo chefe apareceu e estranhamos que ele não quis conhecer o Josué. My story não se incomodou e dali a alguns dias veio a notícia de que nosso diretor-geral teve um ataque cardíaco e foi internado. O Josué, não demorou muito tempo, começou a faltar, repetidamente. O novo chefe não se conformou e começou a perguntar por ele.

    Não sabíamos de nada, já aguardando as desculpas de praxe, até que em um belo dia aparece o My story na repartição, sendo logo interpelado pelo chefe. Esperávamos uma morte ou acidente de um dos muitos primos.

    00

    My story, sensivelmente preocupado, disse que o seu afilhado tinha sido internado, precisando muito de sua assistência. O novo chefe, irritado, achou muita petulância do My story inventar uma das suas histórias.

    Sem perder a postura, My story disse que o seu afilhado era muito querido e importante, para ele, ressaltou. Ficamos penalizados. O chefe pegou imediatamente o telefone e determinou que o My story subisse ao setor de pessoal para que fosse suspenso.

    Sentimos muito que o My story tivesse chegado até aquele ponto. Ele se envolvera nas suas mentiras, e como todas haviam “colado”, é claro, contando com a compreensão dos chefes, que perdera a dimensão, o alcance delas. E, talvez, aquela falta fosse verdadeira. Mas, ele foi pego em um momento de azar.

    Alguns dias depois, o chefe da repartição nos convoca para uma reunião, onde comunicou a volta do My story ao trabalho. E disse mais. Não importava a quantidade de primos que ele tivesse matado ou acidentado; o diretor-geral era o afilhado do My story.

     

    Nilson Lattari
    Curta a página do Conexão Três Pontas no facebook
  • PARA SER FELIZ – Por Nilson Lattari

    PARA SER FELIZ – Por Nilson Lattari

              As mãos tremeram na máquina do tempo quando abriu a pasta envelopada e descobriu dentro dela a carta perdida, da qual somente guardava uma pálida lembrança, brincadeira de criança, dirigida ao ser que desejava que existisse no futuro: ele.

    Haveria cobranças. No fundo, sempre temeu encontrá-la, como se o conteúdo nela existente fosse um esforço muito além daquele que poderia, em sã consciência, ser levado a sério.

    O papel amarelecido pelo tempo (Quanto tempo? Quinze, vinte anos?) teimava em não abrir, com a cola pegajosa do envergonhamento a resistir e brigar por estar novamente diante dos seus sonhos: tolices de criança, adolescente sem sentido.

    Foi com dezoito anos que decidiu fazer uma cobrança a si mesmo na frente do tempo, inexistente e majestoso a reclamar grandes eventos e grandes descobertas, grandes desejos e pouco sofrimento. Futuro brilhante e astuto a dar um norte, um consenso para garantir uma vida dourada.

    Qual o quê! Sabia o que estava escrito, não o sabia vagamente, mas ao abrir o desfolhar do pequeno papel ia redesenhando em sua mente o que havia proposto a si mesmo no futuro.

    “Senhor de cinquenta anos. Espero encontrá-lo feliz e confortável na sua casa a reler o que havíamos combinado. Que você tenha mulher e filhos tão ou mais vorazes de futuro como nós. Que a sua vida seja brilhante como Engenheiro Químico. Não ligue para besteiras, apenas se ligue na modernidade que você está vendo agora. Voarão os carros? Que você tenha um, ou dois, ou três para a sua família inteira. Que você tenha conhecido muitos países e deles traga lembranças e enfeite a nossa casa. Demonstre para aquela professora que nós conhecemos que nós somos vencedores e que algum dia ao encontrá-la lhe diga que, finalmente, nós fomos muito além daquilo que ela nos disse. Ah! Reencontre a Mariana e lhe mostre que nós conseguimos muito mais do que o parvo do Celso que a roubou de nós.

              E nesse futuro, o que você terá diante dos olhos? Finalmente uma guerra ou uma paz mundial, o mundo possível, ou o mundo que não terá mais jeito? Teremos uma sociedade perfeita, onde todos terão suas chances, ou nos entregaremos à barbárie, mesmo aquela envolta em fantasias, encoberta pela mentira? O que será?

              Desejo-lhe sorte, muita sorte, e que você tenha pavimentado nossos caminhos de forma que a vida não nos tenha sido dura. Você terá uma doença, estará doente quando nos reencontrarmos? Espero que não. Como seria ideal que você me respondesse esta carta e me dissesse o que evitar, o que fazer! Não seríamos injustos para com os outros. Apenas nos defenderíamos.

              Estranha esta nossa comunicação. Escrevemos para nós e somente as respostas ficarão congeladas no tempo, assim como as perguntas? Por favor, nos surpreenda.

              Um abraço.”

    Gostaria de te responder, mas não é possível. Apenas gostaria de dizer que a melhor caminhada não é aquela que chega ao seu final, mas aquela em que conseguimos olhar para os lados e guardar na memória as pessoas e as coisas que vimos e vivemos.

    Conseguimos quase tudo e Mariana ao meu lado sorri. Não, não somos engenheiros, temos filhos e os carros não voam. A única resposta que dou é que os nossos objetivos foram atingidos, um pouco diferentes, mas, me pergunto, do fundo da nossa alma: é isso que é ser feliz? Conseguir as coisas materiais, os amores? Não! A grande resposta está em caminhar. Não pavimentei nosso futuro da forma que você imaginou. Mas, ele foi feito de grandes histórias e, principalmente, de grandes desilusões. E como elas ensinam!!

    O medo, esse grande destruidor de sonhos, na verdade, é o motor da vida. Ele nos faz regatear, mas é temerário e nos faz ser corajosos. Você falou do nosso futuro, mas não falou do medo que nos impede de seguir adiante. A felicidade é a consciência dos nossos próprios limites. O medo nos dá os limites e, ao mesmo tempo em que nos baliza, nos mantendo em nossos limites, traz a felicidade do possível.

    Nilson Lattari
    Curta a página do Conexão Três Pontas no facebook

    www.facebook.com/conexaotrespontas

    12729255_119502638436882_132470154276352212_n

    Roger Campos

    Jornalista

    MTB 09816

    #doadorsemfronteiras

    Seja Doador de Médicos sem Fronteiras

    0800 941 0808

  • TORCER OU NÃO TORCER? DE QUE LADO VOCÊ VAI ESTAR?

    TORCER OU NÃO TORCER? DE QUE LADO VOCÊ VAI ESTAR?

    As coisas de fato andam muito difíceis para nós brasileiros. E se olharmos de forma crítica temos motivos de sobra para não nos empolgarmos tanto com a Copa do Mundo. Temos uma corrupção desenfreada; vivemos um crise econômica que mantém o povo com a corda no pescoço; uma CBF envolvida em escândalos e até presidente preso nos EUA e outro que não pode deixar o país; jogadores do mundo e não do Brasil, que moram fora, que aparentemente não nos representam, que estão milionários e que só devem jogar por dinheiro…
    ___________ 
    Enfim, temos todos esses argumentos para nos vitimizar, para nos colocar ainda mais para baixo, para arrumar uma desculpa e um pretexto para não torcer pelo Brasil. O país está uma porcaria e querem ainda nos tirar um pouco da alegria que nos resta. Por isso resolvi falar hoje, dia da estreia do Brasil na Rússia.

    Cada um, claro, sabe de si, de suas dificuldades e de seus sentimentos e motivações. Mas precisamos deixar de ser “raça de vira-latas” como nos querem impor lá fora. Precisamos estufar o peito e gritar: aqui não! Sou brasileiro e, de fato, não desisto nunca!

    Por que não torcer pelo Brasil? Claro que vou torcer. Afinal de contas sou apaixonado por futebol e louco por Copa do Mundo. Não é o Zé, o Mané ou o Pelé que me representam, muito menos o Neymar e seu perfil popstar. É a camisa do Brasil, como se fosse a extensão de nossa bandeira, símbolo pátrio. Vou torcer pra vir o Hexa sim, pra continuarmos na ponta, no topo, onde devemos estar em todos os aspectos, financeiro, de segurança, de qualidade de vida, etc. Vou torcer porque não sou do contra, não sou um esquerdopata que por conta de suas frustrações e incapacidades pessoais só sabe jogar pedra, lamentar e atirar a esmo, sem sequer tirar as nádegas do sofá.

    Tem muita gente que adora torcer pra tudo dar errado ou diz que “não está nem aí”. Veja na política trespontana, por exemplo: há sempre um grupo no poder e outro babando para querer voltar. Ninguém quer largar o osso. Simpatizantes em busca de uma colocação, uma boquinha atacam, ofendem, ficam por conta de instaurar o caos. Apagar o fogo é sem graça, o bom é atear gasolina, mesmo que ela custe quase 5 reais.

    Eu, por exemplo, fui assessor do ex-prefeito Paulo Luís, acreditei em seu governo e o respeito profundamente, assim estive junto, querendo o melhor para Três Pontas. Dr. Luiz Roberto é meu amigo pessoal há 25 anos. Estive não oficialmente no governo, mas torci muito, pois quero o melhor pro nosso povo sofrido e trabalhador. Agora com Marcelo Chaves, estou do lado de tudo que for para o bem da coletividade trespontana. Foi assim com Carlos Mesquita, com Paulinho Nogueira, com Nilson Vilela, com Tadeu Mendonça, com a saudosa Adriene, com meu irmão de coração e saudoso Dr. Glimaldo Paiva, com Luciana e, enfim, com todos que nos representam e que devem buscar o crescimento da cidade. Estarei junto do próximo, seja ele quem for, se trabalhar em prol do Município.

    Penso assim pois não tenho pretensão e nem partido político, não tenho político de estimação, não me penduro no cangote em busca de um cargo. Todos devemos lutar pelo bem comum, mas aqui não é assim. E agora na Copa do Mundo, também muitos não desejam isso.

    Tem que reivindicar sim, tem que protestar sim, fazer greve, bater panela, fazer tudo dentro da lei pelos nossos direitos constitucionais. Mas também podemos torcer por nossa Seleção, historicamente um dos nossos orgulhos. Amor é um sentimento que deve estar presente nos momentos de alegria e de dificuldades também.

    O povo precisa de pão, mas precisa de circo também! Precisamos de emprego, mas também gostamos de futebol e carnaval.

    Por isso meus amigos, vou torcer sim, e muito! Vou vestir a camisa da Seleção Brasileira, gritar gol, sofrer, comemorar, fazer carreata, fazer a minha parte como brasileiro. Respeito quem não pensa assim. Mas eu sou brasileiro e nunca vou desistir, muito menos dar as costas ao meu país…

    Vai Brasil!!!  

    Texto: Jornalista Roger Campos

    Curta a página do Conexão Três Pontas no facebook

    www.facebook.com/conexaotrespontas

    12729255_119502638436882_132470154276352212_n

    Roger Campos

    Jornalista

    MTB 09816

    #doadorsemfronteiras

    Seja Doador de Médicos sem Fronteiras

    0800 941 0808

  • VALENTE – Por NIlson Lattari

    VALENTE – Por NIlson Lattari

    Duas imagens me marcaram muito recentemente; as duas acima. Em países distantes, em hemisférios contrários, língua e cultura diferente, as mensagens exortam à valentia. A valentia contra inimigos poderosos, um uma força armada, ostensiva, outra uma força também poderosa, oculta. Ambas, no entanto, atrás de um balcão, de negócios, como se fundam as forças que obrigam as pessoas a serem valentes e não a viver simplesmente suas vidas comuns.

    Por trás da expressão apreensiva, até a expressão raivosa, uma amputação obriga as duas a lutarem. Por que não ser livre simplesmente ao se dirigir para casa, ou por que não ser livre simplesmente para respeitarem a casa onde se vive, onde nasceu?

    O dilema segue a toda força quando andar pelas ruas é tão perigoso quanto andar  pelo seu país. Medo do assaltante, do preconceituoso ou do misógino que nos agridem por uma sobrevivência, ou por seus ódios; quanto ao medo de um semelhante que acha que o outro tem que sobreviver de acordo com o seu modo de viver, por suposta sobrevivência, ou também por ódio. Dois seres que vivem confinados em pequenos espaços, pelo simples fato de serem, estarem e existirem ali.

    Até quando será necessária a valentia para conseguir coisas básicas? Fadil Abul Selmi morreu lutando com pedras, mesmo que sem as pernas para impulsioná-las, apenas a força do seu próprio corpo. Ao mesmo tempo, uma mulher desconhecida ostenta sua expressão agarrada a um cartaz que diz tudo, a própria condição de ser mulher e poder se dirigir, livremente, a caminho de casa.

    Devem existir horas em que ser valente cansa, ou o valente está simplesmente cansado de se imiscuir dos problemas, portanto, um valente é cansado sempre, mesmo quando caminha até sua casa, ou roda suas pernas até ela, em tempos de paz, ou em tempos de guerra.

    O que fica marcada é a valentia, a coragem. O que podem fazer cartazes empunhados em uma “calle” qualquer do mundo, e as pequenas pedras lançadas em uma funda bíblica em uma terra pedregosa e deserta? Para que se luta, ou até mesmo, por que temos que lutar por coisas que são básicas?

    O que falta para que nós possamos viver simplesmente?

    Resolvo trazer as valentias dos que enfrentam as forças policiais ou econômicas para o enfrentamento e a valentia do cotidiano. O que nos impede de fazer as pequenas coisas que nos dão prazer? Responsabilidades? Talvez sim. Mas a responsabilidade para com o outro, para com nosso ambiente tem um limite. Até quando precisamos tirar a liberdade de poder caminhar livre até os nossos desejos, realmente separando o que achamos que é profundamente necessário, e aquilo que pode ficar para depois, mais tarde, em troca de um pequeno prazer no dia a dia, até que as coisas consertem por elas mesmas. Os cartazes nas ruas exprimem nosso desassossego, mas não resolvem nada, as pedras, mesmo que atiradas com raiva, não resolvem os problemas. Se aqueles dois seres são capazes de serem valentes nos enfrentamentos, a valentia de romper com pequenas coisas deve ser mais fácil, ou nossa covardia é bem maior do que pensamos.

     

    Nilson Lattari

    Curta a página do Conexão Três Pontas no facebook
  • Pensão Alimentícia: Existe um valor mínimo?

    Pensão Alimentícia: Existe um valor mínimo?

    CIDADÃO ENTENDA O SEU DIREITO.

    Que nunca ouviu falar que a pensão alimentícia deve ser fixada, no mínimo, em 30% do salário mínimo? Pois é, em que pese existir uma crença popular de que a pensão deve ser fixada nestes moldes, é fato que não existe lei prevendo um valor mínimo (e nem um valor máximo) a ser fixado em pensão alimentícia, haja vista que a fixação de alimentos levará em conta o binômio NECESSIDADE X POSSIBILIDADE.

    Por outras palavras, o valor mensal da pensão alimentícia a ser fixada pelo juiz(a) competente, terá como base a NECESSIDADE do Alimentando, ou seja, o que a pessoa que irá receber a pensão necessita para que tenha uma vida digna e possa sanar suas despesas com educação, saúde, vestuário, alimentação e outras; e a POSSIBILIDADE do Alimentante, ou seja, o que a pessoa que irá ofertar os alimentos têm para oferecer e que não venha a prejudicar seu próprio sustento, conforme nos ensina o art. 1.694, §1 do Código Civil, senão vejamos:

    Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação.

    • 1oOs alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada.

    Por fim, vale ressaltar que o eventual DESEMPREGO por parte do Alimentante (pessoa que irá ofertar os alimentos) não é causa o bastante para extinguir o seu dever em prestar alimentos, servido apenas para reduzir o valor a ser fixado judicialmente.

    Portanto, acaso as partes não entrem em acordo no que toca a fixação do valor mensal da pensão alimentícia, ela poderá ser fixada no caso concreto em quantia inferior ou superior a 30% do salário mínimo, levando sempre em conta a NECESSIDADE do Alimentando e a POSSIBILIDADE do Alimentante.

     

    MARCELL VOLTANI DUARTE

    OAB/MG 169.197

    (35) 9 9181-6005

    (35) 3265-4107

    Rua bento de brito, 155, centro

    três pontas-mg 

    Advogado no escritório de advocacia Sério e Diniz Advogados Associados, Pós Graduando em Direito Processual Civil pela FUMEC, Graduado em Direito pela Faculdade Três Pontas/FATEPS (2015), Membro da Equipe de Apoio do SAAE – Três Pontas-MG (2016), Vice Presidente da Comissão Jovem da 55º Subseção da OAB/MG, Professor Substituto e de Disciplinas Especiais.

    Curta a página do Conexão Três Pontas no facebook