As coisas no mundo são muito “interessantes” e sempre se abrem novos temas para discussão. Quando invadiram o jornal francês Charlie Hebdo e mataram os colegas jornalistas o mundo parou e protestou. Quando o terrorismo em Paris fez novas vítimas recentemente de novo vimos manifestações. Inclusive aqui no Brasil. E tá certo protestar sim pela liberdade de expressão e fim do terror.
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O problema é que acontecem coisas gravíssimas debaixo dos nossos narizes aqui no Brasil, com nossa gente e ninguém faz nada, fingimos não ver, as tevês não dão destaque e tudo fica no esquecimento. Mataram ontem um médico de 35 anos que saia do plantão, mas certamente por ser chamado de “coxinha”, membro da tal “elite branca” ninguém fez nada, nenhum protesto.
Mataram o menininho indígena, verdadeiro herdeiro dessas terras. E de novo não vi nenhum manifesto. Cadê os black Blocs? cadê os cara-pintadas? Cadê o patriotismo? Cadê a compaixão e a coragem?
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A questão minha gente é que aqui no Brasil brancos e pretos, pobres e ricos, homens ou mulheres são mortos diariamente e ninguém faz nada, apenas computam nas estatísticas, que não servem para praticamente nada. E quantos policiais estão sendo mortos por bandidos? Ah, mas se um bandido é preso ou morto a família tem a cara de pau de pedir indenização e até processar quem atingiu o marginal.

É comum vermos o tal Direitos Humanos reivindicando o direito dos vagabundos, dos marginais, mas não vejo defender o trabalhador honesto que sai para a labuta diária e fica pelo caminho, alvejado por balas ou perfurado por lâminas, deixando esposa e filhos órfãos.
 
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Eu não vi o mundo lamentar a tragédia da lama da Samarco em Mariana, que ceifou vidas, destruiu sonhos, paralisou projetos, acabou com o futuro de muitos. Aliás, o que tem de caso escabroso sendo esquecido no Brasil diante dos escândalos frenéticos de corrupção é realmente de assustar.
 
Precisamos passar a olhar melhor pro nosso próprio umbigo, perceber que tem gente do nosso lado, na nossa rua, na nossa cidade, no nosso país passando fome, morrendo todo dia por mazelas, doenças e violência.
 
Precisamos parar de estereotipar as pessoas, parar de fingir que não é com a gente. Não precisamos virar as costas para o que ocorre lá fora, mas devemos primeiro fazer o dever de casa. Pra aquilo que está realmente ao alcance das mãos.
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Jornalista Roger Campos
10/01/2016

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