Categoria: Colunistas

  • SOMENTE OS ADOLESCENTES ETERNOS CHEGAM AO TOPO – JUAREZ ALVARENGA

    SOMENTE OS ADOLESCENTES ETERNOS CHEGAM AO TOPO – JUAREZ ALVARENGA

    Quando jovens temos horizontes ilimitados. O sonho chega ao topo  de maneira pouco proveitosa.

    Vem a maturidade, perdemos a capacidade de sonhar, porém a vida continua.

    Somos enquadrados ao cotidiano e o conformismo poda nossos horizontes.

    A maioria submete-se a realidade, alguns personagens contrariando a lógica racional do viver os subverte. Entre tantos tenho como referencia ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES e o GEN. GOLBERY DO COUTO E SILVA.

    Com objetivos totalmente diferentes, ambos atingiram o topo naquilo que faziam na vida.

    Isto se deve ao fato de terem equilibrado o nível ilimitado dos sonhos durante todo o decorrer de suas existências.

    Eram  eternos adolescentes que guardavam, em  seus íntimos, que a vida só teria sentido se evoluíssem eterna e ilimitadamente. E, não como restante da população, que mantém seus sonhos no ápice e vai deteriorando, quando chegam à maturidade é totalmente desfeito.

    Nascemos no primeiro degrau da existência, e, só os apaixonados pelos seus sonhos eternos, constroem uma escada que contorna oceanos e como águias tomam alturas imensuráveis.

    Acredite nas suas próprias utopias em qualquer faceta da existência sendo, ainda melhor, na maturidade, onde os impulsos dos  sonhos encontram com a maturidade e a experiências, sendo fatais suas realizações com êxito.

    Nascemos, para realizar nossos sonhos, porém uma faceta minoritária da humanidade, que mantém seu potencial no desenrolar de suas vidas chega ao topo.

    Para, a maioria os limites só são alcançáveis na adolescência , desgovernadamente.

    Depois, são abandonadas como cachorros vira-latas sem donos, pelas noites frias das ruas existenciais.

    Os sonhos, em qualquer época são, substancialmente necessários, mas na maturidade por está bem próximo da realidade, são essenciais.

    Hoje, nossos sonhos não permanecem na cama, sob os cobertores quentinhos, confortavelmente, expulsamos colocando no lugar ideal em frente à realidade tomando serenos das madrugadas factuais no antro do compacto mundo surreal.

    Temos como referencia em nossas vidas ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES E GOLBERY COUTO E SILVA, que chegaram ao topo naquilo que faziam, porque foram eternos adolescentes, porém na segunda metade da vida com experiências.

    Juarez Alvarenga é Advogado e Escritor

    R: ANTÔNIO B. FIGUEIREDO, 29

    COQUEIRAL    MG

    CEP: 37235 000

    FONE: 35 991769329

    E MAIL: [email protected]

     

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  • “Fui Furtado (a) no Bloco de Carnaval” – Gabriel Ferreira

    “Fui Furtado (a) no Bloco de Carnaval” – Gabriel Ferreira

    Qual a responsabilidade da prestadora do serviço?

    Não é novidade que aglomerações e festas são um ambiente propício para aquelas pessoas mal-intencionadas. No carnaval não é diferente!

    É em um momento de distração que, quando nos damos conta, nosso pertence foi levado e nem percebemos.

    Pra você que comprou um camarote ou acha que por estar em um bloco de carnaval está seguro e será ressarcido caso tenha seu pertence furtado, não é bem assim que a banda toca! O que diz o Código de Defesa do consumidor acerca da responsabilidade. O artigo Art. 14 do CDC traz a informação de que os fornecedores dos serviços responderão de forma objetiva perante problemas ocasionados aos consumidores, ou seja, com a responsabilidade objetiva não será analisado se o fornecedor do serviço agiu com culpa ou não. Independentemente, o fornecedor, terá que arcar com os danos que o serviço provocou aos consumidores.

    Tal tipo de responsabilidade poderia levar o consumidor a crer que a empresa responsável pela realização do evento deveria arcar com os prejuízos do consumidor no caso de furto ou roubo.

    No entanto, veja bem, o mesmo artigo, no parágrafo 3º, elenca hipóteses que excluirão a responsabilidade do fornecedor, vejamos:

    § 3º O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:

    I – que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;

    II – a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

    E é essa a fundamentação para que a empresa não responda pelo furto, se eximindo do dever de ressarcir o consumidor.

    Em que pese posicionamentos em contrário, a tendência da jurisprudência é enquadrar o fato como culpa exclusiva de terceiro, já que o serviço fornecido pela empresa que organiza o evento não tem relação com a guarda de objetos (diferentemente do que ocorre com furtos de veículos em estacionamentos – Súmula 130 do STJ).

    Neste caso, a empresa teria obrigação de garantir a integridade física dos consumidores, porém não tem responsabilidade em garantir os objetos pessoais dos foliões.

    Ainda, se o fato não fosse enquadrado como “culpa exclusiva de terceiro”, estaríamos diante de um importante problema. A questão da prova!!

    Dificuldade quanto a prova

    Falamos aqui em um eventual processo e, como se sabe, infelizmente, quem ganha a ação nem sempre é quem está certo ou errado, mas, quem consegue comprovar os fatos, afinal de contas, no direito existe a máxima: Quem alega tem que provar!

    O mais complicado nesses casos é comprovar que seu pertence tenha sido furtado ou roubado na festa, já que o Registro de Ocorrência Policial, famoso B.O, possui presunção relativa de veracidade, sendo um documento produzido unilateralmente que não possui eficácia probatória.

    Para que você consiga comprovar o furto, seria necessário mais que o B.O. Testemunhas que tenham presenciado o momento do fato, ou até mesmo alguma filmagem ou foto que tenha pego o gatuno no flagra, ajudaria na comprovação, entretanto, nem sempre tais provas são fáceis de conseguir, razão pela qual o consumidor acaba por não conseguir comprovar, excluindo o dever da empresa em indenizá-lo.

    Cabe ao consumidor comprovar os fatos, principalmente o dano, para que possamos falar em dever de indenizar.

    Sendo assim, foliões, fiquem atentos, não andem com celular, carteiras, ou bolsa à mostra, pois um momento de lazer poderá gerar grande prejuízo. Ficou com alguma dúvida? Fale com um advogado especialista.

    Gabriel Ferreira de Brito Júnior – OAB/MG 104.830

    Trabalhou como Advogado na Sociedade de Advogados “Sério e Diniz Advogados Associados” desde 2006/por 13 anos, Especialista em Direito Civil e Direito Processual Civil pelo Centro Universitário Newton Paiva (2006), Graduado em Direito pela Faculdade de Direito de Varginha – FADIVA (2001), Oficial de Apoio Judicial (Escrevente) do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais por 10 anos (1996-2006), Conciliador Orientador do Juizado Especial Itinerante do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (ano 2004).

    Presidente da Comissão de Direito Civil e Processo Civil da 55ª Subseção da OAB da Cidade e Comarca de Três Pontas/MG.

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  • O casal da Praça da Matriz – Professor Chico

    O casal da Praça da Matriz – Professor Chico

    Certa vez, após um longo dia de trabalho, caminhava eu tranquilamente pela Praça da Matriz para relaxar. Era um fim de tarde de clima ameno. Os pássaros, naquele alvoroço vespertino que lhes é peculiar, buscavam se aninhar nas árvores. As pessoas iam e vinham ora a passos apressados, ora a passos lentos como os meus naquela tarde. “Mil e um carros” contornavam a praça tentando ir para casa ou perdidos na aventura de tentar estacionar.

    Foi quando olhei para o lado e notei um casal sentado num banco. A cena me prendeu totalmente a atenção por alguns segundos. Era inacreditável o que eu via naquele momento! Algo que para os demais transeuntes passava completamente despercebido, não fugiu ao crivo da minha observação. Aquele casal era um típico casal de nossa era. Era um casal ultramoderno e o que fazia sentado ali naquele banco ostentando as suas alianças prateadas me tomou de estupefação. Não, eles não cometiam nenhum atentado violento ao pudor como era de costume, às vezes, duas ou três décadas atrás. Ao contrário, eles cometiam um atentado ao que as pessoas que ainda não perderam a razão no meio da loucura do atual século entendem por “casal”.

    Usei de um pretexto qualquer e me aproximei o máximo que pude do tal casal, sem lhes chamar a atenção, para confirmar as minhas suspeitas, e bingo! Nada de beijos ou abraços, nada de mãos dadas ou conversas ao pé do ouvido naquele fim de tarde tão aconchegante. As redes sociais lhes haviam cruzado o caminho e lhes levado consigo. Havia stories mais interessantes do outro lado da tela de seus celulares enquanto ambos rolavam a tela de seus aparelhos em frenesi. Era como se o outro sentado ao lado simplesmente não existisse…

    Pergunto-me o que leva um casal a ignorar por completo a pessoa que está ao seu lado e usa no dedo uma aliança com o nome do/a parceiro/a inscrito/a em favor de outra que é feita de bits de memória e viaja por sinais de rádio ou fibra ótica… É uma indagação cuja resposta, mesmo anos depois de presenciar aquela cena, não tenho.

    E o que leva alguém a estar com outrem que prefere o virtual ao real? Por que as pessoas, hoje em dia, se sentem tão mais à vontade diante de uma tela e fogem do olho no olho, de um sorriso bem à sua frente, do tato, do olfato e tudo aquilo que envolve estar com um ser humano diante de si? Do quê estamos fugindo? De nós mesmos? De nossas misérias existenciais? Quando nos tornamos tão covardes assim? Buscamos nos encontrar no feed de notícias do Facebook ou nos perdemos por lá? Do que temos medo quando decidimos nos refugiar em meio a 800 “amigos” dos quais apenas 5 ou 6 de fato encontramos lá fora, 100 comentários e 2000 likes?

    E se de repente, uma catástrofe de proporções mundiais nos deixasse sem Internet por longos três meses, por exemplo? Presenciaríamos suicídios em massa ou simplesmente voltaríamos à nossa essência – isto é – viver efetivamente em grupos de carne e osso, não de bytes.

    Hoje, no dia de São Valentim, quando em países do hemisfério norte se comemoram o amor e a amizade, busco mais uma vez inspiração em Renato Russo e em uma de suas dezenas de canções célebres.

    “E hoje em dia, como é que se diz ‘eu te amo’?”
    Creio que deva ser por meme…

    Professor Chico

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  • QUANDO CHEGA O MOMENTO DE DEIXAR IR – Moísa Araújo

    QUANDO CHEGA O MOMENTO DE DEIXAR IR – Moísa Araújo

    Quando estamos nos relacionando com alguém que amamos, existe em nós algo que nos faz querer aquela pessoa todos os dias e horas do nosso lado, e quando essa pessoa já não corresponde mais as nossas expectativas, algo começa a ficar difícil de aceitar.

    Quando passamos pelo término de um relacionamento, é como se perdêssemos o chão, principalmente quando o amor era maior da parte que foi abandonada.

    Existe diferentes tipos de términos, mas o que acredito ser o mais doloroso é aquele em que você se sente rejeitada, e você fica o tempo todo procurando defeitos em você mesma, e tentando encontrar as respostas para tantos porquês que surgem. Quando estamos com um certo nível de carência, começamos a idealizar o outro como se ele fosse a solução para aquele vazio que existe em nós, mas infelizmente ele não é, e aceitar isso é algo extremamente difícil.

    Foram tantos momentos bons vividos ao lado daquela pessoa que mais te arrancou sorrisos, que chega até ser irônico a mesma pessoa, te arrancar lágrimas colocando um fim, no que parecia ser eterno.

    Passado todo momento de dor e angústia, chega o momento de ser olhar com mais amor para dentro de você mesmo, e dar passos para a sua cura interior.

    Por mais que você ame uma pessoa, chega o momento em que aceitar que ela quer ir embora e seguir um caminho longe de você, é o melhor que você pode fazer para a sua saúde mental, pois ninguém merece ficar se torturando, por não entender os motivos do outro.

    Nos primeiros meses de término, o aconselhável é não se isolar, pois esse é o momento de se reencontrar e se reinventar, não estou falando aqui, em sair para baladas e pegando todo mundo que aparece, não! Não faça isso, porque atitudes assim não ajudam em nada, o que você mais precisa nesse momento é curtir a própria companhia, e fazer coisas que gosta, mudar o visual, fazer um curso que a tanto tempo queria, mais não encontrava a motivação para isso, buscar uma academia e cuidar do seu corpo, recomendo o pilates pois é algo que faz você encontrar o equilíbrio entre mente e corpo, e principalmente esteja próximo dos seus amigos verdadeiros, aqueles que nos momentos mais difíceis estão sempre do seu lado.

    E assim, buscando esse alto conhecimento e se reencontrando, você estará pronta para seguir seu caminho, e não se preocupará se vai ou não, surgir alguém que irá caminhar junto com você, pois assim você terá aprendido a exercer o amor próprio e não aceitar em sua vida ninguém mais, que te machuque.

    Em relação ao ex amor, aceitar que ele possui o livre arbítrio dele e que é livre para fazer as escolhas que julgar melhor para aquele momento, é um dos primeiros passos para desapegar do sentimento que ainda reina dentro de você.

    Se ame, se cuide e seja inteira (o), pois será nesse momento em que você terá os sorrisos mais lindos e o olhar mais encantador diante de todos a sua volta.

    Seja você mesmo o amor da sua vida!

    Moísa Araújo é Estudante do curso de Ciências Contábeis pela Universidade Norte do Paraná (Unopar).
    Apaixonada por livros, natureza e os animais.

    https://www.facebook.com/moysa7100

     

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  • Violência Psicológica Contra a Mulher é Crime de Lesão Corporal – Gabriel Ferreira

    Violência Psicológica Contra a Mulher é Crime de Lesão Corporal – Gabriel Ferreira

    O que? Mas como assim? Agressão psicológica contra a mulher no âmbito da violência doméstica e familiar é crime de lesão corporal?

    Sim, é o que passaremos a tratar nesse texto, sendo esse um tema debatido, porém novo na aplicação nos juizados que cuidam da violência contra a mulher.

    O que será tratado aqui é que o dano psíquico é capaz de gerar lesão corporal na mulher vítima de violência doméstica, sendo este um fato impeditivo até para que as mulheres vítimas abandonem essa relação conflituosa.

    Dessa forma, entendendo o Juiz que aquele que causa agressão psicológica à companheira, ou a alguém da relação doméstica, e, que lhe causa danos, pode ser condenado pelo artigo 129, do Código penal, que trata da Lesão Corporal.

    Para melhor entender esse conceito, iremos trabalhar a partir de perguntas e respostas numa tentativa de clarear ao público que vem buscar informações nesse texto.

    1 – O que é violência psicológica?

    A violência pode ocorrer de várias formas, é o caso da violência física, sexual, negligência e a psicológica.

    Esta última, que é a que nos interessa, é toda ação ou omissão que causa ou visa causar dano à autoestima, à identidade ou ao desenvolvimento da pessoa. Inclui: ameaças, humilhações, chantagem, cobranças de comportamento, discriminação, exploração, crítica pelo desempenho sexual, não deixar a pessoa sair de casa, provocando o isolamento de amigos e familiares, ou impedir que ela utilize o seu próprio dinheiro.

    Para a Organização Mundial de Saúde (1998), a violência psicológica ou mental inclui: ofensa verbal de forma repetida, reclusão ou privação de recursos materiais, financeiros e pessoais. Para algumas mulheres, as ofensas constantes e a tirania constituem uma agressão emocional tão grave quanto as físicas, porque abalam a autoestima, segurança e confiança em si mesma.

    A principal diferença entre violência doméstica física e psicológica é que a primeira envolve atos de agressão corporal à vítima, enquanto a segunda forma de agressão decorre de palavras, gestos, olhares a ela dirigidos, sem necessariamente ocorrer o contato físico.

    Esse é um tipo de violência mais difícil de ser provado, pois, enquanto na violência física ou sexual é bastante um laudo do IML para demonstrar os danos, a violência psíquica depende também de laudos profissionais, que não são tão fáceis de interpretar.

    Por isso, pode-se considerar que a violência doméstica psicológica é muito negligenciada pelas autoridades, e que precisa tratamento mais especializado.

    Menciona-se que a violência psicológica bem como a física, não atinge só a vítima, mas alastra-se até outros sujeitos da relação, imagine a mãe que todos os dias é xingada e humilhada pelo companheiro

    tendo suas crianças como plateia, imagine o dano causado a esses menores que presenciam e são também vitimizados.

    Além das políticas públicas necessárias ao combate dessa violência, novos entendimentos jurídicos devem nascer para que haja condenação por lesão corporal como é o caso do que tratamos aqui.

    2 – O que é O Crime de Lesão corporal?

    Vamos observar o comando do artigo de Lei:

    Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:

    Pena – detenção, de três meses a um ano.

    Veja que o texto diz, ofender a integridade corporal, ou a saúde de outrem. É claro que o corpo faz parte da saúde, e vice-versa, mas somente daí extraímos que o legislador entendia e queria proteger o bem jurídico que é a saúde como um todo, inclusive a psicológica.

    O conceito de lesão corporal, como se vê, deve ser entendido não apenas como uma lesão física ao corpo, mas toda e qualquer ofensa que prejudique a integridade física ou psíquica, incluindo, assim, qualquer distúrbio à saúde do ofendido.

    A lesão à integridade corporal é toda aquela que lhe cause alteração, seja ela anatômica ou funcional, como, por exemplo, uma mutilação ou uma fratura.

    Diz-se alteração anatômica aquela que deforma o corpo como a mutilação. Considera-se alteração funcional aquela que prejudica alguma função do corpo humano como, por exemplo, a fratura de um braço que prejudica a função desse membro. A lesão à saúde de outrem se caracteriza por toda ou qualquer alteração fisiológica do organismo ou perturbação psíquica do ofendido.

    O crime de Lesão corporal pode se classificado da seguinte forma.

    Lesão corporal simples: uma agressão que gere vermelhidão, desmaio ou dor não permanente. A detenção prevista é de 3 meses a 1 ano. Porém, a pena pode ser revertida em multa ou trabalhos comunitários.

    Lesão corporal grave: exemplos são ações que deixem a vítima incapacitada de realizar tarefas domésticas, de lazer ou de trabalho por mais de 30 dias ou que gerem risco de vida. Também que cause debilidade permanente de membros, olfato ou sentido do corpo, como visão, paladar, respiração, digestão ou locomoção. Nesses casos as penas variam entre 1 e 5 anos de reclusão.

    Lesão corporal gravíssima: são crimes que geram detenção de 2 a 8 anos. Exemplos são crimes que provoquem uma incapacidade ou deformação permanente, aborto, perda ou inutilização de membro ou enfermidade sem cura.

    Lesão seguida de morte: aplica-se quando o agressor não tinha como intuito gerar a morte da vítima por meio da agressão. No entanto, a circunstância necessita ser evidenciada. Nesse caso, a lesão corporal seguida de morte pune com detenção de 4 a 12 anos.

    3 – A Lei Maria da Penha trata da violência psicológica?

    Sim, cuidou o legislador de trazer o comando que trata-se diretamente da violência psicológica, está no art. 7º.

    Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:

    II – a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação; (Redação dada pela Lei nº 13.772, de 2018)

    Os efeitos deste tipo de violência são imensuráveis e podem ser irreversíveis para o resto da vida, podendo gerar indivíduos que sofrem de ansiedade, angústia, baixa autoestima, depressão, sentimento de incapacidade, sentimento de culpa, perda da memória, diagnóstico de pânico, diagnóstico de fobias, sensação de vazio, perda de sentido da vida, tentativa de suicídio, falta de esperança, dificuldade em confiar e criar laços relacionais saudáveis, dentre outros, que prejudicam inclusive à vida em sociedade.

    Veja que recentemente foi trazida essa alteração, isso em 2018, estamos ainda recentes na descoberta e tratamento jurídico da questão referente a violência psicológica contra a mulher, há muito ainda que avançar.

    4 – Porque violência psicológica pode ser considerada Lesão Corporal? E quais as implicações disso?

    Feitas as considerações anteriores importantes para o esclarecimento, temos agora que responder à importante questão, porque considerar a violência psicológica uma lesão corporal?

    As explicações, feitas até agora, esclareceram o que é uma violência psicológica, e o que é lesão corporal, ou seja, passamos a entender que o crime de Lesão Corporal tenta proteger não só a integridade do corpo, mas de todo o ser do indivíduo, inclusive a saúde mental e psicológica.

    Toda vez que ocorrer violência psicológica contra alguém, está aí configurado o crime de Lesão corporal.

    É claro que não bastará a simples reclamação apresentada no registro de ocorrência, mas claro, a avaliação inclusive psicológica e psiquiátrica, além de outras provas como testemunhas para demonstrarem que o agressor praticou a violência psicológica e que por isso será condenado por Lesão corporal.

    É importante registrar aqui, que as mulheres geralmente procuram a delegacia para registrar ocorrência de violência doméstica quando há lesão corporal capaz de ser detectada pelo laudo do IML, soco, tapas, puxões de cabelo, perfuração por instrumento perfuro contundente, dentre outros.

    Já com essa nova visão, as mulheres que nunca sofreram sequer um empurrão pelo companheiro, mas que são vítimas de violência psicológica, poderão da mesma forma procurar a delegacia de proteção às mulheres e registrarem ocorrência, a delegada de posse das informações poderá fazer a abertura do inquérito que, junto com o laudo psicológico, e outras provas a serem desenvolvidas no âmbito do processo, haverá base para condenar o agressor.

    Em setembro de 2019, o magistrado Marcelo Volpato de Souza, atual titular do Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca da Capital, a partir de laudo psicológico fundamentado, condenou um ex-marido à pena de sete anos de detenção pelos crimes de lesão corporal contra idosa e dano qualificado. O casal conviveu por nove anos, sempre com registros de agressão verbal e psíquica contra a mulher. Destaca-se que a Lei Maria da Penha, em seu artigo 16, traz a possibilidade de audiência de justificação/retratação, para os crimes de natureza pública condicionada, tais como injúria, calúnia e difamação.

    Nessas audiências são possibilitadas às mulheres renunciarem a queixa que fizeram contra os companheiros caso os crimes sejam dessa natureza, ou seja, quando é da vítima a possibilidade de representar ou não.

    Já no caso de outros crimes, como o de Lesão corporal, não é possível retirar a queixa mesmo em audiência designada para tal fim, o que certamente trará a condenação do agressor. Essa é uma das implicações muito importantes para essa adequação da violência psicológica ser entendida como lesão corporal.

    Sendo assim, concluímos que:

    A) Uma mulher, assim entendida na relação (podendo ser a transexual), que tenha sido violentada psicologicamente, pode procurar a delegacia de proteção à mulher e registrar boletim de ocorrência por lesão corporal em desfavor de companheiro ou alguém da família.

    B) A violência psicológica pode ser demonstrada através de laudo psicológico, psiquiátrico, bem como por testemunhas, ou até outros documentos que demonstrem como a vítima era agredida, vídeos, fotos, postagens em redes sociais.

    C) A vítima de violência psicológica, neste ponto de vista, não poderá retirar a queixa, ou renunciar ao processo contra o agressor, tendo em vista que essa é uma ação pública incondicionada, onde o Ministério Público é o titular da ação.

    D) Não é necessário aguardar ocorrer qualquer violência física para buscar a delegacia e relatar o caso às autoridades, basta que esteja enquadrada em uma das hipóteses de violência psicológica já explicada nesse texto.

    E) Mulheres vítimas de violência psicológica podem e devem ser indenizadas inclusive para que sejam tratadas, e consigam recuperar a saúde e voltar à vida normal.

    Gabriel Ferreira de Brito Júnior – OAB/MG 104.830

    Trabalhou como Advogado na Sociedade de Advogados “Sério e Diniz Advogados Associados” desde 2006/por 13 anos, Especialista em Direito Civil e Direito Processual Civil pelo Centro Universitário Newton Paiva (2006), Graduado em Direito pela Faculdade de Direito de Varginha – FADIVA (2001), Oficial de Apoio Judicial (Escrevente) do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais por 10 anos (1996-2006), Conciliador Orientador do Juizado Especial Itinerante do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (ano 2004), Presidente da Comissão de Direito Civil e Processo Civil da 55ª Subseção da OAB da Cidade e Comarca de Três Pontas/MG.

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  • DE QUE PECADO VOCÊ SE ARREPENDE? – Nilson Lattari

    DE QUE PECADO VOCÊ SE ARREPENDE? – Nilson Lattari

    Com certeza, escarafunchando sua memória, lá dentro, guardado em uma gaveta empoeirada você tem um pecado. Possivelmente um segredo que somente você sabe, ou então um segredo compartilhado a dois, porque de três, dizia minha avó, o diabo fez.

    Ele deixa você triste, meio por baixo? Ele sujou de tinta a sua carne, marcou na sua pele algo que lhe dá um frio na barriga, um medo que ele desencarne, suba no muro, vá para o campanário da igreja, e grite para todo mundo, e o dedo acusatório de um crime, de uma desonra, penda sobre você, e você chore, se esconda, meta a cabeça entre os joelhos?

    E você, possivelmente, poderá cometê-lo de novo, se lembrar, relembrar. Ele tem algo de prazeroso, asqueroso, ele tem um apelo que não se deixa hibernar, que você quer matar, mas, apenas, o esconde? É isso?

    Ou então, por que não? Algo de uma nobreza imensa, que te encheu de orgulho, que mais ninguém sabe, que te faz sorrir, satisfeito, que o beneficiado nem soube. Você se arrepende não ter dito?

    Afinal, o que é pecar? Atentar contra os ditos e mandamentos da religião é pecado. Mas contra quem? Contra Deus? Ele existindo então não há segredo, você sabe e Ele também. Ele fez alguma coisa para você? Você não conseguiu seus desejos, a culpa é dele, do pecado?

    E que personagem é esse? Que de tão forte é capaz de figurar como um fantasma ao seu lado; é capaz de refrear você, ou então de fazê-lo avançar nos seus projetos.

    Pecado tem a ver com a culpa. A culpa é o personagem real, o pecado a ficção, algo que criamos, fantasiamos sobre alguma coisa que fizemos. E esse pecado é que é capaz de nos livrar para as entranhas do inferno, mas, enquanto ele é segredo, somente a culpa nós carregamos. São segredos, e a culpa é o arrependimento, que tanto pode ser para o bem ou para o mal. E algo tão excludente não pode ser real, está dentro da gente.

    Você não pode se arrepender do que viveu. E, com certeza, você aprendeu alguma coisa com ele. O pecado então pode ser o seu companheiro, e a culpa o seu próximo limite

     Nilson Lattari é Escritor

     

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  • Nietzsche, para além de tudo… – Gabriel Delfino

    Nietzsche, para além de tudo… – Gabriel Delfino

    Aos 16 anos tive meu primeiro contato com a filosofia de Friedrich Nietzsche, me impressionou como uma perspectiva que à princípio parece ser tão materialista, transcende a concepções materialistas tradicionais, metafísicas, e até mesmo com o niilismo trazendo uma nova visão sobre o homem e sobre o mundo, fazendo companhia junto à Schopenhauer com o que alguns vieram a chamar de “metafísica ateísta”. Após a leitura de Origem da Tragédia, Crepúsculo dos Ídolos, Além do Bem e do Mal, Assim Falava Zaratrusta e um pequeno livreto com a biografia de Nietzsche em HQ de Onfray Leroy fui acometido por insights que me levaram a escrever a seguinte poesia:

    Nietzsche
    Nas entrelinhas sou o estopim da Segunda Guerra,
    Sou Maldita alma que vagou sobre a Terra
    O Camelo é o homem no chão,
    O leão é aquele que saiu da prisão
    E a criança… o homem pleno, sereno, feliz e brincalhão
    É preciso trocar o homem pelo super-homem
    Pois o homem é vulgar e há quem tome o seu lugar
    Não sou nem frio e nem morno, e o corpo é apenas uma máquina para o Eterno Retorno
    O mundo se tornou ateu, Deus Morreu, e dizem que o culpado fui eu
    Sou pessimista e há quem me critique
    São muitas pesadas as verdades que eu disse
    Se me perguntarem quem sou…
    Meu nome é Nietzsche
    Não sou um homem, mas sim uma dinamite…

    À princípio, mesmo que parecendo apenas um jogo de palavras, até incompreensível, tal poema tem um poder de transformação na vida de todos os seres humanos. Na primeira estrofe remeto ao conceito que Nietzsche apresenta em sua obra como “vontade de potência”, conceito libertador, mas ao mesmo tempo perigoso, pois como o próprio nome já diz é uma perquirição das forças que movem o universo e as potencialidades da humanidade. Tal conceito pode ser extraviado e causar danos como uma “aristocracia de raça”, deturpação feita por Elisabeth Föster Nietzsche, irmã de Friedrich Nietzsche e amiga de Hitler que vinculou as idéias de seu irmão ao nazismo e ao anti-semitismo.

    Na realidade a realização da vontade de potência seria relativamente como o alcance do ápice de toda a capacidade do indivíduo, lutando pelo que acredita e tornando-se “senhor de si mesmo”, se há algum conceito aristocrático em Nietzsche que seja do a do indivíduo e dos povos, mas nunca de uma raça em específica, a “vontade de potência” é um convite à soberania das nações, não da sobreposição de uma sobre outra, pois grandes homens é que farão um grande país, independente das fronteiras e diferenças étnicas.

    Na segunda estrofe há a reflexão acerca do caminho do caminho solitário para a realização da vontade de potência observado em “Assim falava Zaratrusta” onde temos as analogias ao camelo, ao leão e a criança.

    O camelo seria como o “homem primordial” e por vezes grosseiro, fadado ao destino de carregar seus fardos sem a força de contestação e reivindicação dos seus direitos para o bem viver.

    Após esta fase o homem se encontra como o leão, despertou de sua condição como “mais um dentre o rebanho” e deseja mostrar para o mundo e seus algozes que também é um ser dotado de força e poder para conquistar o que bem entende, tem voz e não precisa mais das muletas que a ele foram oferecidas assim caminhando com seus próprios pés. Também renuncia aos sedativos de sua percepção e não nega mais à suas dores, mas sim as aceita e continua a lutar como um bravo guerreiro. Mas no estágio de leão há uma ilusão que é a do ego, o ressentimento do passado sofrido e a necessidade da afirmação de si.

    Assim, com o desenrolar dos véus da ilusão, o homem atinge seu ápice sendo como uma criança, como “um novo indivíduo”, livre dos ressentimentos do passado, sorridente e indo sempre adiante e portadora da esperança de um futuro melhor.

    Depois de passar por estes três estágios o homem transcende o estágio comum de humanidade alcançando assim o seu nível de “super-homem” (em alemão ubermensch).

    Na quarta estrofe aparece um conceito já muito antigo presente nas filosofias orientais que é o de Eterno Retorno, o conhecido ciclo de reencarnações, porém Nietzsche nos apresenta essa ideia sob uma ótica materialista onde nos traz a seguinte reflexão: Se a sua vida repetisse infinitas vezes, isto seria o seu inferno ou o seu céu terreno? Isto seria motivo de prazer ou de dor? Pressupondo que você está fadado à esta repetição eterna viva bem, viva intensamente, viva como o senhor de suas vontades pois esta é a única realidade possível.

    Juntamente já é abarcado a temática do ateísmo e da “morte de Deus”, reflexão que pode ser fragmentada sob duas perspectivas: A primeira é dependemos da religião mesmo para ser bons, ou de nós mesmo? Fazemos o que é certo porque é certo ou porque tememos o inferno? Isto não é uma afronta aos valores religiosos, antes o convite a uma nova moral e a ética dos homens do novo mundo.

    A segunda é a percepção de que a humanidade cada vez mais tem se extraviado dos caminhos da religião e de uma vida simples, vivendo cada vez mais pelo hedonismo e tecnicismo científico, a ciência por sua vez se tornou o novo artifício da fé. Sendo assim, não que Deus realmente tenha morrido, mas qual a atual a influência da crença dele em nossas vidas?

    Depois de todas essas reflexões, pensamos o quão pesadas elas são… seriamos nós capazes de nos livrar de toda ideia pré-concebidas, das dicotomias políticas como a dualidade esquerda-direita, e de nossas crenças limitantes para fazer um futuro glorioso?

    Caso a humanidade seja capaz de dar este salto vejo nas idéias de Nietzsche o caminho para edificar o mundo de homens-reis, mulheres-rainhas e o estopim de uma dinamite que eclodiria para o nascimento de uma sociedade triunfante. Por isso digo caros leitores: “Para frente, sempre mais alto! Esse mundo e a existência apenas serão suportáveis se trilharmos o caminho íngreme que leva às às alturas! – Friedrich Nietzsche”

    Gabriel Delfino é Estudante de Filosofia e apaixonado por espiritualidade, política e poesia.

    https://www.facebook.com/gabriel.delfino.5209/timeline?lst=100001148470253%3A100007762950406%3A1580585802

     

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  • AQUILO QUE A VIDA NÃO ME DEU – JUAREZ  ALVARENGA

    AQUILO QUE A VIDA NÃO ME DEU – JUAREZ  ALVARENGA

    Nascemos para torna-se verídico nossas mais claras realizações. Mas, no confronto com a vida, não há vitorias absolutas e nem derrotas definitivas.

    Neste processo de luta animal são naturais algumas escoriações da alma, o que não é verdadeiro, são as cicatrizes atrozes corroendo nosso mais profundo intimo.

    Vendo as volúpias das águas do mar, em atividade, criando uma correnteza desproporcional a qualquer força humana, levando sem dó nossos sonhos, os mais preciosos, para as profundezas escuras, tentando nos tirar de nós nossas rédeas do destino como a tempestade tropical derruba os frágeis barracos no morro carioca deixando Deus com escudo e a esperança de erguer a vida do nada.

    Nascemos, para enfrentar às adversidades com armas do êxito homérico.

    Aquilo que a vida ainda não me deu não é um fato consumado. As investidas diferenciadas sobre as pretensões devem fazer parte do repertório rico em alternativas, porque singularmente uma será solução mágica para o caso concreto.

    Todas as tentativas imaginárias devem ser executadas, o que nos falta na vida. Deste a calmaria das ações, até a mais radical e ousada conclusiva do risco premeditado.

    Para a realização do que nos falta, temos as manhãs com seu ineditismo exuberante, como aroma dispersivo da inteligência no ar, despoluindo o núcleo das soluções sabias.

    É com a entrada do sol que devemos agir, potentemente, como motor de carro novo em estradas perigosas como a pericia de um piloto de formula 1.

    Juarez Alvarenga é Advogado e Escritor

    R: ANTÔNIO B. FIGUEIREDO, 29

    COQUEIRAL    MG

    CEP: 37235 000

    FONE: 35 991769329

    E MAIL: [email protected]

     

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  • CAMINHO DA ROÇA por Juarez Alvarenga

    CAMINHO DA ROÇA por Juarez Alvarenga

    O caminho da roça por ser curto e rotineiro faz termos afetividade, tornando-nos automáticos e presos ao cotidiano, pois sempre andamos o mesmo tanto.

    Esta prisão de nosso trajeto me incomoda. Buscamos no dia-a-dia a sobrevivência mínima por falta de ousadia  permanecemos sem ampliar nossa caminhada.

    Sua extensão é pequena fazendo cair das nuvens estrelas iluminadas, capazes de nos fornecer subsídios suficientes para fomentar nossos sonhos. Contidos e sem ação são devaneios, imaginários, porem executados e jogados no cotidiano são maquinas capaz de nos tirar do caminho da roça.

    Estradas curtas retêm nossos sonhos e impede as destrezas de nossos pés.

    Sermos livres e ambiciosos nos tornará piloto de estradas perigosas e longas.

    Hoje o homem já está chegando a Marte. A distância entre a terra e Marte deve ser mensurável pelas utopias que infiltramos em nossa alma.

    Alguns ainda são encantados pelos sons dos carros de bois, outros entusiastas da razão moderna. Esta nos provoca agilidade e pragmatismo e a outra a sensação extremamente agradável. Cabe então a escolha entre a complacência e a ousadia. Nós seres humanos devemos mapear nossa caminhada com pontos cada vez mais distantes, para sua conquista é necessário caminhar à exaustão. Aprendi que a velocidade não está no velocímetro e sim em nosso intimo. E que a direção de nossos sonhos deve ser guiada com firmeza e determinação. A capacidade de chegar ao fim de qualquer caminhada se deve à hostilidade que damos ao parasitismo. A autenticidade de nossos sonhos faz eles serem desfeitos somente com uma única alternativa à sua realização.

    Se formos otimistas em nossos dias, as porteiras se abrirão a todos instante. Sabemos que todo inicio de caminhada é pungente e toda chegada empolgante. Então o que nos diferencia é o durante. Manter a pungência com empolgação a corrida inteira nos qualifica a chegar ao paraíso das grandes conquistas.

    Ter paciência nos momentos de monotonia diária nos levará sem duvida ao êxtase do êxito.

    O caminho pedregoso, esburacado, não nos faz conter nosso ímpeto e assim manter nossa vontade de ultrapassar as adversidades com determinação.

    O automatismo que o caminho da roça nos proporciona precisa ser eliminado. Conjugar com parasitismo e rotina nos faz abandonar as acrobacias diárias.

    Colocar nossos ideais em Marte e acreditar que os sonhos polidos tiram do caminho todas rusticidades encontradas. Sabemos do provincianismo e bucólica estradas rurais. Sabemos também de seu encurtamento que nos leva ao comodismo e parasitismo. Os pássaros ainda nos cativam, mas os passos lentos e monótonos nos tiram da capacidade de ultrapassar os desafios do mundo moderno.

    Devemos aprender a cheirar gasolina de avião a jato. E no meio-dia das metrópoles enfiar um sonho sutil na rusticidade cotidianas que as metrópoles nos impõem. Os caminhos da roça devem ser abandonados com tristeza, mas com a certeza que o rendimento diário chegara ao topo. Se sua extensão é estreita para colocar nossa locomotiva de utopias, devemos substituir as seguranças pelos sonhos que vagueia em nuvens poluídas e rotas desconhecidas, mapeando nosso inconsciente potente e realizador de sonhos íntimos.

    Juarez Alvarenga é Advogado e Escritor

    R: ANTÔNIO B. FIGUEIREDO, 29

    COQUEIRAL    MG

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  • A CARTA – Professor Chico 

    A CARTA – Professor Chico 

    Sou fã de Legião Urbana. Renato Russo era um poeta em roupagem de cantor. Pode soar certo saudosismo de minha parte, mas é fato que não se faz mais música como antigamente. Entretanto, isso é tema para outro dia. Ainda assim, o que me traz hoje aqui é uma música de Renato Russo; uma das últimas levadas ao público num álbum póstumo de nome Presente, lançado em 2003. Nesse álbum, encontra-se um dueto de Renato Russo e Erasmo Carlos, “A Carta”. Ouvindo “A Carta”, comecei a divagar sobre esse ser totalmente estranho à geração Z, chamada, às vezes, sofisticadamente de “Millennials”. E a alcunha é mesmo sofisticada, pois tudo neles o é. Dizem que já nasceram com um Iphone no berço o que eu não duvido de que de fato o tenham. Não estou aqui, no entanto, para tecer diatribes à tecnologia moderna, uma vez que ela possivelmente nos traz muito mais conforto e bem-estar do que motivos para lamentos. Todavia, quem é ao menos um “oitentista” (nascidos na década de 80), como eu, sabe de tudo que o avanço tecnológico, “nunca antes visto na história deste mundo”, levou de roldão. Uma longa introdução que me leva de volta à Carta, à canção “A Carta” e às divagações e lembranças que ela me ensejou:

    O ano era 2001 e eu estava no final da minha adolescência. Uma das minhas paixões à época era animês – desenhos animados japoneses. Meus amigos e eu nos reuníamos todas as tardes e contávamos as horas e os minutos para um novo episódio de Dragon Ball Z na Band. Comecei então, em meio à febre causada pela saga de Akira Toriyama, a colecionar as revistas em quadrinhos do desenho (os famosos mangás japoneses nos quais se lê de trás para frente!) e nelas havia uma seção de cartas à qual leitores escreviam falando de sua paixão por Dragon Ball Z e deixando seu contato para correspondência entre si . Foi aí que encontrei o contato de Hiroko. Hiroko era uma jovem paulista da cidade de Suzano e tão fã de animês e mangás quanto eu. De súbito, tomei de uma caneta e uma folha de papel, lhe escrevi uma carta e lhe enviei junto, como um mimo, um desenho que rabisquei do meu personagem favorito de Dragon Ball Z. Perguntei ao atendente dos Correios quanto tempo levaria para que a carta chegasse ao seu destino e ele me disse que seriam cerca de sete dias. Logo calculei que uma possível resposta de Hiroko levaria por volta de duas semanas. Entre a empolgação por um e outro episódio novo de Dragon Ball na TV, acabei não percebendo os dias se passarem e fui tomado de surpresa quando me chamaram ao portão e me entregaram uma carta. Hiroko havia respondido. Não pude conter a alegria e a satisfação por estabelecer contato com uma legítima fã nipônica do meu desenho predileto. O envelope por si só já era um prêmio à parte. Hiroko havia cuidadosamente traçado os rostos dos personagens mais famosos da animação japonesa por ele todo e, inclusive, escrito alguma coisa em japonês que até hoje não consegui decifrar. Quando abri o envelope da carta e fisguei seu conteúdo, fui levado do êxtase ao embaraço total. A garota paulista me havia enviado um desenho perfeito do meu personagem favorito, aquele mesmo, do qual eu lhe havia mandado alguns rabiscos na minha carta. Se comparado ao que eu, agora, segurava constrangido e admirava em estado de total perplexidade, o meu não passava de um apanhado de linhas disformes feitas por uma criancinha de colo que mal sabe segurar um lápis. Mas Hiroko não havia feito isso por mera ostentação. Ela era uma exímia artista. Já havia muitos anos que desenhava e escrevia quadrinhos japoneses por hobby. Imediatamente após ler sua carta por duas ou três vezes lhe redigi uma resposta e nos correspondemos, a partir daí, por quase três anos.

    Cada espera entre uma carta e outra era repleta de ansiedade. Checar a caixa do correio quase todos os dias, redigir uma nova carta e abrir aquele envelope vindo de longe na expectativa do que ele continha e do que aquelas linhas traziam era uma aventura saborosa e romântica (no sentido literário do termo) não só para mim, mas também para muitas pessoas que utilizavam deste meio de comunicação, mas que hoje se perdeu na imensidão do tempo.

    Quanto a mim, nunca encontrei Hiroko. Não era fácil viajar até São Paulo sendo ainda um simples estudante de Ensino Médio sem trabalho. Falamo-nos uma única vez por telefone – fixo! – diga-se de passagem; celulares mal existiam quase duas décadas atrás e Instagram muito menos, então, dela, só tenho uma foto que me enviou em uma de suas cartas e eu, como nunca fui muito fotogênico, apenas lhe enviei um três por quatro meu, de uma feita, para retribuir sua gentileza.

    A última carta de Hiroko chegou em novembro de 2003. Nela, ela dizia, numa mistura de pesar e esperança, que voltaria ao Japão para trabalhar e que me enviaria seu novo contato assim que possível. Hiroko era uma sansei – neta de japoneses – e já havia morado no Japão por cinco anos. Isso explicava o fato de, às vezes, me escrever coisas em japonês que eu tinha de perguntar o que significavam e esperar ao menos duas semanas para descobrir do que se tratavam. Nunca mais voltamos a nos comunicar. Nem mesmo o Google me reencontrou a amiga japonesa, desenhista de mangá e fã incontestável de Dragon Ball quando, tempos atrás, procurei por ela. Hiroko, assim como as cartas, se perdeu no tempo…

    É uma pena muito grande que a atual geração, tão moderna e de comunicação tão instantânea, mal saiba o que se sentia ao se comunicar com alguém que nos fosse querido/a por este meio chamado carta. Talvez houvesse alguma espécie de virtude na demora e na espera, o que a velocidade da comunicação dos tempos atuais impossibilita porque, sem dúvida, as relações do passado, mesmo aquelas à distância, eram muito mais sólidas e verdadeiras; por vezes, inesquecíveis, mesmo quando repentinamente tolhidas pelas circunstâncias e pela implacável ação do tempo…

    ありがとうございます。Arigatô gozaimasu, Hiroko!

    Professor Chico

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  • AMOR EM PEDAÇOS por Nilson Lattari

    AMOR EM PEDAÇOS por Nilson Lattari

    O casal vinha caminhando pela calçada, parcamente iluminada pelas lojas de roupas na avenida chique, propícia ao passeio descontraído de quem olha para os manequins com ar de desprendimento, apontando os dedos como a procurar um assunto que justifique, mais ainda que o amor, a união de duas pessoas.

    Não havia movimento na rua, apenas algumas pessoas também caminhavam despreocupadas, e o trânsito tinha poucos carros.

    Eu me distraía olhando, como de hábito, o celular que não parava de apitar o whatsapp em uma conversa para lá de animada.

    Meu olhar, quando se ergueu da pequena tela iluminada, a primeira coisa que viu foi um casalzinho caminhando. Vinham se embalançando, cada um empurrando levemente os corpos como a sentir a quentura, a maciez deles, nessa química que se constrói quando duas almas se sentem atraídas.

    Tudo bem. O que me atraiu não foi a passagem de um casal, até porque, mesmo sendo politicamente correto, não pude deixar de notar que eram duas jovens que se abraçavam e às vezes trocavam beijos apaixonados, mas nada de exagero ou extravagante.

    Ri. Ri aquele riso de quem ainda não se acostumou a vê-los assim, homossexuais assumidos a mostrarem pelas ruas a realidade dos seus sentimentos, outrora presos nas paredes de um recanto qualquer.

    Uma delas, com um vestido florido, cabelos finamente presos por uma presilha, um laço envolvendo o pescoço, sapatos de salto. A outra, um pouco mais sóbria, cabelos curtos, sem ser totalmente destoante, mas que se sobressaía na companhia da outra.

    Seus rostos eram iluminados pela juventude, e os brilhos nos olhos demonstravam rara felicidade.

    Como um céu que desaba em chuva, trovoadas, um grupo de meninos, vestindo roupas enegrecidas pelo sentimento, marcados com tatuagens assustadoras se aproximou do casal e começou a espancar aquela que era o namorado, como se uma vingança sobre ela fosse a justificativa para criticar, agredir uma figura que se acharia totalmente deslocada.

    Para a outra couberam empurrões na vã tentativa que fazia de tentar ajudar a companhia amada. Seus gritos se misturavam aos palavrões, eram inertes diante da plateia que assistia estupefata como se visse um espetáculo de horror, num palco aberto na cidade.

    Eu não me parecia estar ali, inerte e boquiaberto, acompanhado do tui, tui do whatsapp. Pessoas querendo conversar sobre banalidades, enquanto acontecia a barbárie diante dos meus olhos.

    Ensandecido o grupo se afastou, deixando no chão, envolta em uma poça de sangue e desfiguração, outrora quem passeava despreocupada pelas ruas.

    A namorada se ajoelhou chorando, com as mãos no peito, a olhar e acariciar o seu amor que era agora uma mistura de sangue, roupas rasgadas e lágrimas a lamentar e a perguntar o porquê de tudo aquilo.

    Era a agressão gratuita estirada na calçada, um amor feito em pedaços, depois de confrontar preconceitos, juntando cada ponto da timidez para se expor com liberdade.

    Podemos condenar toda e qualquer forma de ódio, mas nenhuma forma de amar, contudo.

     Nilson Lattari é Escritor

     

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  • COMENTANDO… “Duplo Assassinato de Renê e Elaine” próximo do primeiro aniversário. Nós não esquecemos! Já a Justiça…

    COMENTANDO… “Duplo Assassinato de Renê e Elaine” próximo do primeiro aniversário. Nós não esquecemos! Já a Justiça…

    De quem é a culpa quando nos deparamos, noticiamos, vivemos e choramos um “acidente”? É tão comum diante de uma tragédia no asfalto apontar o dedo e bradar: “essa pista é perigosa demais, essa rodovia mata muito, o governo tem que cuidar melhor das vias…”.

    Afirmo que, pra mim, não existe pista muito perigosa e rodovia que mata. No tocante aos cuidados por parte do governo, claro que ele deve zelar sim, investir sim, realizar frequentes melhorias sim! Mas jogar o fardo do sangue escorrido no chão quente do trânsito nas autoridades (que hoje em dia, pelo menos 90%, não nos representam com o mínimo de dignidade) é tampar o sol com a peneira, é querer mascarar a realidade, desviar o foco e a verdadeira culpabilidade.

    Como instrutor de trânsito, há 14 anos, digo que é balela dizer que a Rodovia TP/Varginha é perigosa, que a TP/Santana é arriscada. Nenhuma Rodovia é perigosa em demasia. Ela está ali, parada, imóvel, inerte. O perigo está na IMPRUDÊNCIA dos humanos, do excesso de confiança, de bebida, de velocidade, de irresponsabilidade. Quem mata o homem é o próprio homem.

    No dia 17 de março de 2019, um irresponsável, um criminoso, tirou a vida de um casal muito querido e conhecido na cidade de Três Pontas. A motocicleta em que estavam acabou pegando fogo. Renê Miranda Bernardes e Elaine Tempesta Bernardes morreram ainda no local. O casal Renê e Elaine foi até a cidade de Andradas – MG para comemorar o aniversário de uma amiga. Num outro veículo, de 4 rodas, estavam o motorista e outros 3 passageiros. Nenhum deles se feriu na batida de frente. Todos os covardes, passageiros canalhas, fugiram do local. A colisão aconteceu às 14h30, próximo à entrada do Bairro Jardim Alto da Serra, na BR-146 entre Poços de Caldas e Andradas. O veículo Volkswagen Voyage teria descido a serra e feito uma conversão proibida, atingindo a motocicleta BMW GS800 que trafegava em sentido contrário. Renê Miranda Bernardes tinha 52 anos de idade e Elaine Tempesta Bernardes morreu com 47.

    O autor desse duplo assassinato, Ademir A. S. (embriagado e realizando conversão proibida) certamente gozará sua vida numa boa! Deveria mofar na cadeia! Tirou duas vidas inocentes por total irresponsabilidade. Esse rapaz assumiu SIM o risco de matar! Sendo assim, deveria ficar o resto da vida atrás das grades! Prisão perpétua nele! Isso é utopia. No Brasil o crime continua compensando e a Justiça uma grande piada.

    A culpa, senhoras e senhores, nesta tragédia, também não foi da via. Foi de um moleque que tirou sonhos, projetos, a companhia de pai e de mãe de filhos que agora estão órfãos!

    O problema está nas pessoas! E elas se sentem poderosas, protegidas, por leis falhas (impunidade) que aumentam a irresponsabilidade e inflamam a descrença na justiça dos homens! Felizmente a de Deus não falha!

    Não adianta obras na via. O ser humano é quem precisa de “manutenção”!!!

    *Antes de postarmos este tema, entramos em contato com a filha do casal. Júlia nos autorizou a abordarmos o tema novamente e cobrar por justiça!

    #nosnaoesquecemos #naofoiacidente #reneeelaineforamassassinados #queremosjustica

    Jornalista Roger Campos (MTB 09816)

    @conexaotrespontasoficial 

     

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