QUEM DESTRUIU UMA FAMÍLIA NÃO DEVERIA SE BENEFICIAR DELA!
Há decisões judiciais que, embora tecnicamente amparadas em artigos e códigos, ferem de morte o senso mais elementar de justiça. A de hoje é uma delas. A Justiça de São Paulo acaba de nomear Suzane von Richthofen – condenada por mandar assassinar os próprios pais – como inventariante do espólio de seu tio, um patrimônio avaliado em R$ 5 milhões. Em linguagem direta e sem rodeios: a assassina passa a administrar a fortuna da família que ajudou a destruir.
Como jornalista, como cidadão, como defensor da lei e, sobretudo, como pai de família, é impossível não sentir indignação profunda diante desse quadro. Que mensagem se transmite a uma sociedade já cansada de tanta impunidade? Que, no Brasil, infelizmente, o crime compensa.
A magistrada que proferiu a decisão argumenta que o histórico criminal da herdeira não interfere no direito sucessório. Juridicamente pode até ser assim. Moralmente, porém, é um tapa na cara de todos que acreditam que a Justiça deveria estar ao lado das vítimas e não de quem as eliminou de forma brutal.
O caso beira o escárnio. O mesmo tio que, em vida, tentou impedir judicialmente que Suzane se beneficiasse da herança dos pais, agora tem seus bens colocados sob a administração daquela que foi responsável por uma das páginas mais macabras da crônica policial brasileira. A PRINCESINHA VENCEU NO PODER DA MARRETADA! DANE-SE QUE ERAM SEUS PAIS…
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E que ninguém venha dizer que se trata apenas de uma função burocrática. Ser inventariante é ter controle, acesso, poder de decisão sobre imóveis, carros e investimentos. É estar no comando do patrimônio. E tudo isso concedido a alguém que já demonstrou do que é capaz quando interesses financeiros entram em jogo.
Para piorar, pairam suspeitas sobre a morte do médico Miguel Abdalla Netto e já existe boletim de ocorrência acusando a nova inventariante de retirar bens da residência sem autorização. O cenário é, no mínimo, perturbador. Ainda assim, o sistema fecha os olhos e segue adiante como se nada tivesse acontecido.
Enquanto isso, em Brasília, um Projeto de Lei tenta corrigir essa distorção absurda, propondo que condenados por crimes contra parentes sejam impedidos de herdar bens da família. É a prova de que até o Legislativo reconhece a aberração que a legislação atual permite. Mas a mudança não chega a tempo para este caso. E mais uma vez a sociedade assiste, impotente, a um espetáculo de injustiça travestido de legalidade.
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A sensação que fica é amarga: a Justiça no Brasil parece proteger os bandidos enquanto eles riem e sambam em ritmo de carnaval na nossa cara. O cidadão de bem trabalha, paga impostos, cumpre regras e, ao final, vê assassinos premiados com heranças e privilégios.
Não se trata de vingança, mas de decência. Não se pede condenação perpétua ou linchamento moral eterno. Pede-se apenas coerência: quem destruiu uma família não deveria se beneficiar dela. É um princípio básico que qualquer criança entende, mas que nosso sistema jurídico insiste em ignorar.
Hoje, mais uma vez, venceu a frieza da letra da lei sobre o espírito da justiça. E quando isso acontece, perde toda a sociedade brasileira. Porque, decisões como essa, alimentam a perigosa certeza de que, por aqui, o crime – lamentavelmente – continua compensando.
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Roger Campos






























