Servidora concursada está presa preventivamente. Polícia Civil ainda aguarda informações bancárias consideradas fundamentais para descobrir o destino do dinheiro e esclarecer se ela agiu sozinha
Três Pontas continua diante de uma pergunta incômoda, daquelas que não podem simplesmente desaparecer com o passar dos dias: Como mais de R$ 3 milhões podem ter saído dos cofres públicos de uma Prefeitura sem que o problema fosse identificado antes? O que inicialmente chegou ao conhecimento público como um suposto desvio de aproximadamente R$ 2,6 milhões, depois tratado como R$ 2,7 milhões, ganhou uma dimensão ainda maior. Os números apresentados em agosto apontam para R$ 3.107.102,82 em recursos que, segundo a investigação, teriam sido desviados dos cofres da Prefeitura de Três Pontas ao longo de aproximadamente seis anos. E a investigação ainda está em andamento.
Na tarde desta terça-feira, 15 de setembro de 2026, o Conexão Três Pontas voltou a procurar pessoas ligadas à investigação e autoridades para saber em que ponto está o caso.
A resposta obtida pela reportagem é clara:
“O caso continua sob intensa investigação e ainda existem informações consideradas fundamentais que precisam chegar às mãos da Polícia Civil para que o rastreamento do dinheiro avance. Entre esses elementos estão extratos bancários solicitados pela investigação, necessários para acompanhar a movimentação dos valores depois que eles teriam chegado à conta pessoal da servidora investigada.”
Ou seja: ainda há dinheiro para rastrear, informações para cruzar e perguntas sem resposta.
DE R$ 2,7 MILHÕES PARA R$ 3.107.102,82
É importante atualizar uma informação que o próprio Conexão publicou no início da investigação. Nos primeiros dias, com base nas informações então disponíveis, o valor era estimado em aproximadamente R$ 2,7 milhões. Hoje, entretanto, esse número não representa mais a dimensão conhecida até o momento. Segundo os dados apresentados pelo investigador da Polícia Civil e vereador Rodrigo Alexandre Silva durante pronunciamento na Câmara Municipal, a apuração chegou a R$ 3.107.102,82.
E existe uma razão para essa diferença. A investigação foi avançando, novos dados bancários foram analisados e os valores identificados foram sendo somados.
O resultado é um número que assusta: R$ 3.107.102,82. Mais de três milhões de reais. Recursos que pertenciam ao Município. Recursos públicos. Dinheiro do contribuinte.
COMO O VALOR TERIA SIDO ACUMULADO?
Segundo os números divulgados durante a atualização do caso, a movimentação teria crescido progressivamente ao longo dos anos.
A distribuição apresentada foi:
2020 — R$ 10.700,00
2021 — R$ 114.811,00
2022 — R$ 237.493,91
2023 — R$ 583.981,62
2024 — R$ 885.777,63
2025 — R$ 733.607,96
2026, até 29 de julho — R$ 540.730,70
Total: R$ 3.107.102,82.
Os números mostram algo particularmente preocupante: o volume teria aumentado consideravelmente com o passar dos anos. Em 2020, pouco mais de R$ 10 mil. Em 2024, quase R$ 886 mil em um único ano. E a investigação aponta que o suposto esquema teria atravessado diferentes períodos da administração municipal.—
QUEM É A SERVIDORA INVESTIGADA?
A investigação envolve Thamares Maria Moraes, servidora pública efetiva do Município. Ela tem 31 anos e estava lotada na Secretaria Municipal de Fazenda, atuando na área de Tesouraria. Informações públicas sobre sua situação funcional apontam que ela ingressou no serviço público municipal em 2019 e exercia o cargo de técnica administrativa. Em 4 de agosto de 2026, a Polícia Civil cumpriu mandado de prisão preventiva contra a servidora em Varginha, onde ela residia. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão.
Na operação foram apreendidos veículos, documentos, dinheiro em espécie, eletrodomésticos e outros bens.
Segundo o Conexão publicou à época, foram localizados três veículos — um automóvel e duas motocicletas —, aproximadamente R$ 6 mil em dinheiro vivo e outros bens de valor que passaram a integrar a investigação.
A Justiça também determinou medidas relacionadas ao patrimônio.
ELA CONTINUA PRESA
A informação mais recente disponível indica que Thamares permanece presa preventivamente, recolhida na unidade prisional de Três Corações, à disposição da Justiça. Mas aqui existe uma diferença que o jornalismo precisa preservar: prisão preventiva não é condenação. Até o momento, a servidora é investigada e suspeita da prática dos crimes apontados pela investigação. Não existe, até onde foi possível verificar nesta atualização, sentença criminal definitiva reconhecendo sua culpa.
O princípio constitucional da presunção de inocência continua valendo.
O QUE A POLÍCIA DIZ TER ENCONTRADO?
Um dos pontos centrais da investigação é a identificação de transferências que teriam saído dos cofres municipais e chegado a uma conta pessoal da servidora investigada. Segundo informações apresentadas pelo investigador Rodrigo Alexandre Silva, a análise inicial dos extratos bancários apontou essa movimentação. E é justamente aí que começa uma das partes mais importantes da investigação.
PARA ONDE FOI O DINHEIRO DEPOIS?
Essa pergunta ainda não está totalmente respondida. E, segundo as informações obtidas pelo Conexão nesta terça-feira, a investigação continua aguardando informações bancárias importantes para avançar nesse rastreamento. Os bancos precisam remeter os dados solicitados pela Polícia Civil. Esses documentos podem permitir que os investigadores reconstruam o caminho percorrido pelo dinheiro.
Quem recebeu?
Para onde foi?
Houve transferências para terceiros?
Houve pagamentos?
Aquisições?
Aplicações?
Movimentações financeiras incompatíveis?
Existem outras pessoas envolvidas?
É justamente essa segunda etapa que ainda precisa ser esclarecida.
A SERVIDORA AGIU SOZINHA?
Essa talvez seja a pergunta que mais ecoa em Três Pontas. E, neste momento, a resposta correta é:
AINDA NÃO SE SABE.
O próprio investigador Rodrigo Alexandre Silva afirmou que, naquele estágio da investigação, ainda não era possível afirmar que a servidora teria agido sozinha. É justamente por isso que os novos extratos bancários são tão importantes. A investigação precisa seguir o dinheiro.
Porque uma transferência para uma conta pessoal pode explicar onde o dinheiro chegou primeiro. Mas não necessariamente explica onde o dinheiro terminou.
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OS R$ 3 MILHÕES NÃO SURGIRAM DE UMA VEZ
Outro ponto importante é compreender a dimensão temporal do caso. Os dados divulgados apontam para movimentações desde 2020, com crescimento progressivo nos anos seguintes. Isso significa que não estamos diante, segundo a hipótese investigativa, de um único episódio. Estamos falando de uma investigação que aponta para uma sequência de movimentações ao longo de anos. E é justamente aqui que surge uma das perguntas mais duras feitas pelo Conexão desde o início:
COMO ISSO TERIA SIDO POSSÍVEL DURANTE TANTO TEMPO?
Como funcionavam os mecanismos de controle?
Quem conferia as movimentações?
Quem autorizava?
Quem fiscalizava?
Quem tinha acesso ao sistema?
Quem verificava os lançamentos?
Havia conferência cruzada?
Havia auditoria?
E, principalmente:
POR QUE O PROBLEMA SÓ FOI IDENTIFICADO DEPOIS QUE O PREJUÍZO JÁ HAVIA ULTRAPASSADO R$ 3 MILHÕES?
Essas não são acusações. São perguntas. E são perguntas que precisam ser respondidas.—
PREFEITURA FOI QUEM IDENTIFICOU A IRREGULARIDADE
Segundo as informações divulgadas anteriormente, os indícios de movimentações financeiras irregulares foram identificados a partir de auditoria interna realizada pelo próprio Município. Depois da identificação, a Prefeitura afastou preventivamente a servidora e comunicou o caso às autoridades competentes. A partir daí, a Polícia Civil passou a aprofundar a apuração. Isso é importante porque demonstra que a descoberta do problema acabou desencadeando a investigação criminal.
Mas também abre uma discussão inevitável: o controle interno conseguiu detectar o problema — mas por quanto tempo os desvios já teriam ocorrido antes disso?—
E O CONTROLE DAS 326 CONTAS DA PREFEITURA?
Diante do tamanho do rombo, o vereador e investigador Rodrigo Alexandre Silva anunciou que havia protocolado requerimento para a realização de uma auditoria externa nas contas da Prefeitura. Segundo ele, o Município possui 326 contas bancárias. A ideia é verificar se existem outras movimentações ou irregularidades que ainda não foram descobertas. E essa pode ser uma das próximas grandes etapas.
Porque, se o problema estiver restrito ao caso já identificado, a investigação precisará demonstrar isso. Mas se uma auditoria encontrar outras irregularidades, o tamanho do problema poderá ser ainda maior. Até o momento, não há confirmação pública de que existam outros desvios.
Portanto, isso precisa permanecer no campo da possibilidade a ser investigada, e não como fato.
UM DETALHE QUE NÃO PODE SER IGNORADO
A investigação também analisa o patrimônio da servidora. Na primeira operação foram apreendidos bens considerados incompatíveis, em tese, com a renda informada, além de aproximadamente R$ 6 mil em espécie. A servidora teria remuneração aproximada de R$ 4 mil mensais, segundo informações divulgadas no início do caso. Mas patrimônio, por si só, não prova a origem ilícita de um bem. É justamente para isso que existe a investigação patrimonial.
É necessário estabelecer: origem do dinheiro → movimentação → aquisição → beneficiário → eventual vínculo com o dinheiro público.
O CASO ENVOLVE PECULATO E INSERÇÃO DE DADOS FALSOS
A investigação trabalha, inicialmente, com a possibilidade da prática de peculato e inserção de dados falsos em sistema de informações. São acusações graves. Mas, novamente, é preciso respeitar a fase processual: são crimes investigados, não crimes definitivamente reconhecidos pela Justiça neste momento.
A eventual responsabilidade criminal somente poderá ser estabelecida ao final do devido processo legal.
AGORA, O QUE O CONEXÃO APURA?
O Conexão Três Pontas não considera esse caso encerrado. Muito pelo contrário. Nesta terça-feira, 15 de setembro, nossa reportagem voltou a procurar autoridades e pessoas ligadas à investigação. E a informação recebida é de que:
A INVESTIGAÇÃO CONTINUA INTENSA.
Há diligências em andamento.
Há informações sendo aguardadas.
Há dados bancários ainda não remetidos.
Há movimentações financeiras que precisam ser rastreadas.
Há perguntas que permanecem sem resposta.
E existe uma questão central:
QUAL FOI O DESTINO DOS MAIS DE R$ 3 MILHÕES?
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NÃO BASTA PRENDER. É PRECISO DESCOBRIR ONDE FOI PARAR O DINHEIRO
Essa é uma das principais bandeiras desta reportagem. A prisão preventiva é uma medida judicial. A investigação criminal é necessária. Uma eventual condenação, se ocorrer, será consequência do processo. Mas existe uma outra dimensão que interessa diretamente ao cidadão:
O DINHEIRO PÚBLICO.
Se ficar comprovado judicialmente que houve desvio, não basta saber quem praticou.
É preciso saber:
quanto saiu;
como saiu;
quem recebeu;
onde foi parar;
quem eventualmente participou;
quem se beneficiou;
e, principalmente:
quanto poderá retornar aos cofres públicos.
Porque o dinheiro não pertence à Prefeitura.
Pertence ao povo.
O CONEXÃO NÃO VAI DEIXAR ESSE CASO ESFRIAR
O Conexão Três Pontas foi um dos veículos que acompanhou esse caso desde os primeiros momentos. Publicamos quando o valor ainda era estimado em aproximadamente R$ 2,6 milhões. Depois mostramos o impacto de R$ 2,7 milhões. Agora, diante das informações mais recentes, apresentamos o número atualizado: R$ 3.107.102,82
E vamos continuar perguntando.
Vamos continuar procurando as autoridades.
Vamos continuar buscando documentos.
Vamos continuar ouvindo as partes.
Vamos continuar cobrando respostas.
Porque mais de R$ 3 milhões não podem simplesmente desaparecer da história de uma cidade.
A PERGUNTA QUE FICA
Três Pontas precisa saber o que aconteceu.
A servidora será julgada e terá direito à defesa.
A Polícia Civil precisa concluir seu trabalho.
O Ministério Público poderá analisar os elementos produzidos.
A Justiça terá a palavra final sobre eventual responsabilidade criminal.
Mas o cidadão tem uma pergunta legítima e absolutamente necessária:
ONDE ESTÃO OS MAIS DE R$ 3 MILHÕES?
E uma segunda pergunta vem imediatamente depois:
ELA AGIU SOZINHA?
Hoje, 15 de setembro de 2026, nenhuma dessas perguntas pode ser respondida definitivamente.
E é exatamente por isso que a investigação precisa continuar.
Os extratos bancários precisam chegar.
Os dados precisam ser cruzados.
As movimentações precisam ser reconstruídas.
Os responsáveis, se existirem, precisam ser identificados.
E o dinheiro público, se comprovadamente desviado, precisa ser buscado e devolvido aos cofres públicos.
O Conexão Três Pontas continuará atrás da verdade.
Sem medo. Sem escolher lado. Sem condenar antes da hora. Mas também sem fechar os olhos diante de perguntas que precisam de respostas.
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Roger Campos































