SEGUNDA CONDENAÇÃO É O MAIS NOVO CAPÍTULO DE UMA INVESTIGAÇÃO QUE COMEÇOU EM 2018, PASSOU POR PRISÕES, DENÚNCIAS, NOVAS INVESTIGAÇÕES, ACUSAÇÕES DE OBSTRUÇÃO E AGORA JÁ PRODUZIU MAIS DE UMA DECISÃO CONDENATÓRIA
O ‘Trem’ ainda não parou na estação! O chamado “Trem Fantasma” continua em movimento. O nome que ficou marcado na história recente de Três Pontas por causa de uma investigação sobre supostos desvios de recursos públicos envolvendo contratos, peças automotivas e a frota municipal volta novamente ao centro das atenções. E desta vez há uma novidade de peso: o Ministério Público de Minas Gerais obteve uma segunda condenação no âmbito da Operação Trem Fantasma.
De acordo com documento do Ministério Público de Minas Gerais, por meio do GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, núcleo de Varginha, e da 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Três Pontas, seis pessoas foram condenadas em uma nova ação relacionada à operação.
A sentença reconheceu a prática de organização criminosa, peculato e fraude contratual, e as penas, somadas, ultrapassam 45 anos de prisão e 190 dias-multa.
A decisão, entretanto, ainda comporta recurso. Portanto, é fundamental registrar: trata-se de condenação em primeiro grau, e os envolvidos possuem direito à defesa e aos recursos previstos em lei.
MAS, AFINAL, O QUE FOI A OPERAÇÃO TREM FANTASMA?
Para entender o tamanho desse caso, é necessário voltar no tempo.
A história começou a ganhar forma em 2018, quando chegaram ao Ministério Público denúncias relacionadas a possíveis irregularidades na execução de contratos da Prefeitura de Três Pontas. As suspeitas envolviam, principalmente, o fornecimento de peças automotivas e outros materiais destinados à manutenção da frota municipal. O que chamou a atenção dos investigadores foi uma situação aparentemente absurda: veículos e máquinas que estariam parados, sucateados ou sem condições de utilização apareciam nos registros administrativos como destinatários de peças e serviços.
Em outras palavras, segundo a investigação, existiriam documentos indicando que determinados materiais haviam sido adquiridos e destinados à frota municipal, embora houvesse dúvidas sobre a efetiva entrega e utilização desses produtos. Foi justamente essa característica que deu origem ao nome da operação:
TREM FANTASMA.
Um “trem” que, segundo a hipótese investigativa, movimentava documentos, contratos, notas e pagamentos, mas cujo resultado material não apareceria necessariamente nos veículos e máquinas que deveriam receber os produtos. A investigação passou a cruzar documentos, notas fiscais, contratos, informações administrativas e as condições dos veículos pertencentes ao município.
A OPERAÇÃO EXPLODE EM TRÊS PONTAS
Em maio de 2018, o caso deixou definitivamente de ser apenas uma investigação silenciosa. O GAECO de Varginha, em conjunto com a 3ª Promotoria de Justiça de Três Pontas, deflagrou a Operação Trem Fantasma. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisões contra pessoas ligadas à administração municipal. Naquele momento, a operação provocou enorme repercussão na cidade. Entre os alvos estavam pessoas que ocupavam posições importantes dentro da estrutura administrativa municipal. A investigação passou a apontar suspeitas envolvendo organização criminosa, peculato, fraude em licitação, fraude na execução de contratos e embaraço às investigações, conforme a evolução das denúncias apresentadas pelo Ministério Público.
PRIMEIRA DENÚNCIA: SETE PESSOAS E 24 CRIMES
Na primeira fase judicial, sete pessoas — entre servidores públicos e empresários — foram denunciadas pela prática de 24 crimes. O próprio histórico oficial do caso aponta que a investigação tratava de um suposto esquema de desvio de dinheiro público por meio do não fornecimento real de peças automotivas. A investigação avançou e os acusados passaram da condição de investigados para réus. O processo se transformou em uma longa batalha judicial. Vieram depoimentos, perícias, documentos, manifestações do Ministério Público, decisões judiciais, recursos e novos desdobramentos. E o caso não parou ali.
UMA SEGUNDA DENÚNCIA AMPLIOU O CASO
Enquanto a primeira ação seguia seu caminho, surgiu uma segunda denúncia. Segundo o histórico da operação, essa nova denúncia envolveu nove pessoas e outros 24 crimes. É justamente dessa segunda frente que surge a decisão apresentada no documento enviado pelo Conexão Três Pontas. E aqui está uma das informações mais importantes da atualização:
O MINISTÉRIO PÚBLICO OBTÉM UMA SEGUNDA CONDENAÇÃO NO ÂMBITO DA OPERAÇÃO TREM FANTASMA.
Seis pessoas foram condenadas.
QUEM SÃO OS SEIS CONDENADOS NESSA NOVA DECISÃO?
A documentação do Ministério Público apresenta os seguintes nomes e condenações:
JOSÉ GILENO MARINHO
Segundo a sentença reproduzida no documento, foi reconhecida a prática de peculato por 21 vezes.
A pena indicada é de: 5 anos e 10 meses de reclusão, em regime inicial fechado, além de 26 dias-multa, cada um correspondente a metade do salário mínimo.
CÉSAR DE OLIVEIRA PELEGRINI
Também condenado por peculato por 21 vezes.
Pena: 5 anos de reclusão, em regime inicial fechado, além de 23 dias-multa, cada um correspondente a metade do salário mínimo.
ROBERTO BARROS DE ANDRADE
Também condenado por peculato por 21 vezes.
Pena: 5 anos de reclusão, em regime inicial fechado, além de 23 dias-multa, cada um correspondente a metade do salário mínimo.
RONAN PENIDO REIS
A sentença reconheceu peculato por oito vezes.
Pena: 3 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, além de 18 dias-multa, em regime inicial aberto.
A decisão também registra a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos.
MARCOS ROBERTO GARCIA
Neste caso, a sentença reconheceu três conjuntos de crimes:
organização criminosa;
peculato por 13 vezes;
fraude em licitação por duas vezes.
A documentação indica: 9 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão, além de 35 dias-multa, em regime inicial fechado;
e ainda: 3 anos e 6 meses de detenção, além de 11 dias-multa, em regime inicial semiaberto.
MAURÍCIO PACHECO
Também houve reconhecimento de:
organização criminosa;
peculato por 13 vezes;
fraude em licitação por duas vezes.
A sentença registra: 11 anos e 8 meses de reclusão, além de 44 dias-multa, em regime inicial fechado;
e ainda: 3 anos e 6 meses de detenção, além de 11 dias-multa, em regime inicial semiaberto.
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MAIS DE 45 ANOS DE PENAS
Somadas, as condenações indicadas pelo Ministério Público ultrapassam 45 anos de prisão e 190 dias-multa. Esse número dá uma dimensão da extensão da segunda condenação. Mas existe uma ressalva jornalística e jurídica importante: o número de anos não significa, automaticamente, que todos esses períodos serão cumpridos integralmente em prisão física, nem que todas as penas serão executadas simultaneamente da forma matemática como aparecem na tabela. O cumprimento efetivo depende das regras de concurso de crimes, regime, eventual substituição, recursos e demais decisões que ainda podem ocorrer no processo.
E A PRIMEIRA CONDENAÇÃO?
Aqui está outro ponto fundamental para compreender a dimensão do caso.
Antes dessa nova decisão, a Operação Trem Fantasma já havia produzido uma primeira condenação envolvendo seis pessoas. Em junho de 2026, uma decisão judicial condenou José Gileno Marinho, Roberto Barros de Andrade, César de Oliveira Pelegrini, Ronan Penido Reis, Ralph Duarte Funchal e Nicésio Campos Silva. Naquela decisão, as penas divulgadas somavam mais de 65 anos, com condenações por crimes como organização criminosa, peculato e embaraço às investigações. Portanto, é preciso entender que não se trata simplesmente de repetir a mesma condenação.
São decisões relacionadas a frentes processuais distintas dentro da Operação Trem Fantasma, decorrentes das diferentes denúncias apresentadas pelo Ministério Público. É justamente isso que torna a operação tão extensa e complexa.
MARÇO DE 2026: O TREM FANTASMA VOLTA A DESEMBARCAR NA DELEGACIA
Em março deste ano, quando muitos poderiam imaginar que o caso estava caminhando para uma conclusão, a operação voltou às manchetes. O Gaeco e a Polícia Civil cumpriram dois mandados de prisão preventiva em Três Pontas. Os alvos foram José Gileno Marinho, ex-secretário municipal de Transportes e Obras, e César de Oliveira Pelegrini, servidor da mesma pasta à época. Segundo o Ministério Público, os dois teriam deixado de apresentar alegações finais durante longo período, mesmo após intimações, o que, na visão acusatória, poderia contribuir para a ocorrência de prescrição. A Justiça determinou as prisões preventivas. Posteriormente, os envolvidos apresentaram as alegações pendentes e foram colocados em liberdade.
A defesa contestou a interpretação do Ministério Público e negou que houvesse qualquer tentativa deliberada de retardar o processo. E sobre este novo capítulo, novas condenações, a defesa de dois investigados se manifestou junto ao Conexão Três Pontas. Com a palavra o advogado criminalista, Dr. Francisco Braga:
“A defesa técnica dos acusados Gileno e Cesar ficou surpresa com a decisão condenatória proferida, eis que eivada de nulidades absolutas e falhas processuais gritantes, as quais buscaremos corrigi-las através de recurso próprio perante o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Destacamos, desde já, que a decisão proferida demonstra uma contradição sem precedente com as regras do direito administrativo, as quais impedem, até mesmo por uma questão de lógica, que os fatos tenham ocorrido tal qual narrados pelo Ministério Público e acatado parcialmente pelo Poder Judiciário. Em vista disso, aguardaremos que o Tribunal de Justiça de nosso Estado corrija os graves erros constantes dos autos e ignorados por essa decisão de primeira instância, quando será declarada a absolvição dos acusados por mim assistidos.”
A DEFESA AINDA TEM CAMINHO PELA FRENTE
E essa é uma informação que precisa ficar muito clara para o leitor. A segunda condenação não encerra definitivamente o caso. O próprio documento divulgado pelo Ministério Público registra expressamente: “Da decisão cabe recurso.” Ou seja, os condenados poderão utilizar os instrumentos processuais previstos na legislação brasileira. Isso significa que ainda poderão existir: recursos, embargos, apelações e, dependendo da matéria discutida, outras medidas perante os tribunais.
Portanto, jornalisticamente, o correto neste momento é falar em condenados em decisão judicial recorrível, e não em condenação definitiva.
O DINHEIRO PÚBLICO NO CENTRO DA INVESTIGAÇÃO
Talvez o ponto mais importante de toda essa história seja justamente aquele que muitas vezes se perde no meio das disputas jurídicas:
O dinheiro investigado era dinheiro público.
Dinheiro que pertence à coletividade.
Quando uma investigação aponta para eventual desvio de recursos públicos, o impacto não fica restrito aos envolvidos no processo.
Ele chega ao cidadão.
Chega ao contribuinte.
Chega ao serviço público.
Chega à saúde.
Chega à educação.
Chega às obras.
Chega à manutenção das estradas.
Chega à frota municipal.
É por isso que casos envolvendo suspeitas de corrupção em administrações públicas precisam ser acompanhados com rigor, mas também com responsabilidade.
NÃO FOI APENAS UMA INVESTIGAÇÃO. FOI UMA LONGA BATALHA JUDICIAL
A Operação Trem Fantasma começou com denúncias e suspeitas. Passou por investigação. Virou operação. Vieram buscas e apreensões. Vieram prisões. Vieram denúncias criminais. Vieram réus. Vieram perícias. Vieram decisões. Vieram recursos. Vieram novas denúncias. Vieram novas acusações. Vieram novas prisões preventivas. E agora surgem novas condenações. São mais de oito anos de história judicial desde que o caso começou a ganhar forma em 2018. E ainda não acabou.
O QUE AINDA FALTA SER ESCLARECIDO?
Muito! Apesar das condenações já proferidas, o processo ainda não chegou ao seu ponto final. É preciso acompanhar:
os recursos das defesas;
eventuais manifestações do Ministério Público;
as decisões dos tribunais;
a situação de cada condenado;
a execução ou não das penas;
eventuais novas decisões referentes à segunda denúncia;
e principalmente:
quanto efetivamente teria sido desviado ou causado de prejuízo ao patrimônio público e quanto poderá retornar aos cofres municipais.
Essa última pergunta é fundamental.
Porque condenar alguém é uma parte do processo.
Recuperar o dinheiro público, quando houver dano reconhecido pela Justiça, é outra.
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UMA HISTÓRIA QUE TRÊS PONTAS NÃO PODE ESQUECER
A Operação Trem Fantasma já entrou definitivamente para a história administrativa e política de Três Pontas. Não porque jornalistas ou políticos assim decidiram. Mas porque durante anos um conjunto de órgãos públicos — Ministério Público, GAECO, Polícia Civil e Justiça — investigou fatos que levaram a denúncias criminais e, agora, a mais de uma decisão condenatória. O caso também mostra algo que precisa ser compreendido pela população: uma investigação não termina quando uma operação é deflagrada.
A operação é apenas o começo. Depois dela vêm a investigação, a denúncia, o processo, a produção das provas, a defesa, a sentença e os recursos. É um caminho longo. E, justamente por isso, o jornalismo precisa acompanhar todas essas etapas.
O PAPEL DO CONEXÃO TRÊS PONTAS
O Conexão Três Pontas acompanha a Operação Trem Fantasma desde seus primeiros desdobramentos e continuará acompanhando.
Não para condenar antecipadamente.
Não para absolver antecipadamente.
Não para transformar investigação em espetáculo.
Mas para informar.
Quando houver acusação, ela será apresentada como acusação.
Quando houver defesa, a defesa terá espaço.
Quando houver decisão judicial, ela será publicada.
Quando houver recurso, será informado.
Quando houver absolvição, será noticiado.
Quando houver condenação definitiva, também.
Porque jornalismo sério não escolhe lado.
Escolhe a verdade dos fatos.
E em um caso que envolve o patrimônio público, essa responsabilidade é ainda maior.
TREM FANTASMA: O CASO AINDA NÃO CHEGOU AO FIM
A segunda condenação mostra que a Operação Trem Fantasma está longe de ser apenas uma página antiga da política trespontana. Ela continua produzindo consequências jurídicas. A documentação mais recente do Ministério Público mostra seis novas condenações, envolvendo organização criminosa, peculato e fraude contratual, com penas que ultrapassam 45 anos e 190 dias-multa. Ao mesmo tempo, a primeira condenação já havia alcançado outros envolvidos e provocado penas superiores a 65 anos, além de indenizações relacionadas aos danos reconhecidos no processo.
E há recursos pela frente. Por isso, o Trem Fantasma ainda não chegou à estação final. A história começou em 2018. Passou por prisões. Passou por denúncias. Passou por duas frentes processuais. Passou por decisões judiciais. E agora entra em mais uma fase:
A FASE DOS RECURSOS, DAS ANÁLISES DOS TRIBUNAIS E DA BUSCA PELO DESFECHO DEFINITIVO.
O Conexão Três Pontas continuará acompanhando. Porque quando o assunto é dinheiro público, a população tem o direito de saber.
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O Conexão Três Pontas é um portal de notícias e marketing, criado no ano de 2014 e dirigido pelo jornalista profissional Roger Campos. Tem como linha editorial a propagação das boas notícias e como grande diferencial a busca incessante pela ética e pelo respeito à verdade dos fatos e às pessoas. Nosso jornalismo é feito de forma séria e sempre baseado no Código de Ética dos Jornalistas.
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Roger Campos






























